CPFL: ISSO É ASSÉDIO MORAL!

Empresa lança cartilha e obriga os trabalhadores a assinarem um termo de Compromisso

A CPFL Energia lançou recentemente sua cartilha de “Diretrizes de Saúde e Segurança do Trabalho na CPFL”. Nela há um Termo de Compromisso e Conduta a ser preenchido e assinado pelo trabalhador e devolvido ao seu gerente imediato. Segundo as instruções da cartilha, esse termo é o comprovante para toda a movimentação que possa ocorrer durante a carreira profissional do trabalhador na empresa.

É… seria normal que a CPFL lançasse um programa de segurança que, efetivamente, demonstrasse preocupação com a segurança do trabalho para prevenção de acidentes que causam danos à vida e ao patrimônio. O que não é normal é usar de instrumentos arcaicos para coagir e assediar os trabalhadores de forma a ameaçá-los com advertências, suspensões, cobrança por danos e demissão.

Tais práticas, muito usadas no passado, desde sempre se mostram ineficazes, pois criam um ambiente de trabalho hostil e inadequado, principalmente aos trabalhadores da linha de frente. Isso porque, além dos riscos da própria atividade, do trânsito e do conflito com consumidores insatisfeitos, eles ficam sujeitos a mais essa medida “antissegurança”, uma vez que os gestores mal preparados, que não conseguem exercer o papel de liderança sobre os seus subordinados, usam de punições para amedrontar seus trabalhadores e terem um suposto controle da situação.

Essa condição traz mais um elemento que contribui para um ambiente inseguro: o “medo do chefe” que, de forma covarde, aplica as tais sanções disciplinares achando que com isso irá “domar” o trabalhador.

E a responsabilidade da empresa?
Na cartilha, em nenhum momento, a CPFL cita quais são as suas próprias responsabilidades para a redução ou eliminação de acidentes ou situações de risco, nem cita a responsabilidade dos gestores. Por quê? Estão isentos de seus deveres e obrigações? Podem agir sem a preocupação com punições? Não são responsáveis pelo processo? Basta punir para cumprir o seu papel?

A cobrança para o cumprimento de prazos e produtividade parece ser a única coisa que importa aos gestores. “Parece que estamos voltando ao tempo da inquisição e isso é inadmissível”, observa a direção do Sindicato.
Só para lembrar, essa não é a primeira vez neste ano que o Sinergia CUT fala sobre assédio moral na CPFL. Outro boletim do Sindicato que circulou em março passado trazia o caso do assédio feito pelo próprio Comitê de Ética. “Desse jeito, parece que assediar é a única forma de gerenciar que essa empresa conhece”, afirma a direção sindical.

Com tudo isso, o Sinergia CUT enviou uma carta à CPFL repudiando sua atitude e pedindo a suspensão do tal “Termo de Compromisso e Conduta”, por entender que o conteúdo desse documento e a postura da CPFL caracterizam “assédio moral”.

O Sindicato também já informou à empresa que irá ajuizar um processo por “dano moral coletivo”. Aguarde.

SAÚDE E SEGURANÇA… SEM ASSÉDIO!
As lutas por melhorias salariais, por novas conquistas e pela manutenção dos direitos nunca fizeram o Sinergia CUT esquecer um quesito fundamental na batalha com as empresas: a priorização da saúde e da segurança dos trabalhadores.
O Sindicato sempre atuou nesta área porque entende que a integridade e saúde dos trabalhadores devem ser sempre prioridades.

Há uma longa história de intervenção nesta área, como por exemplo, a elaboração da NR-10, a Convenção Coletiva de Saúde e Segurança do Setor Elétrico, a participação na Comissão Permanente Nacional de Segurança em Eletricidade, entre outras.

“Temos condições e queremos ajudar a conquistar o índice de acidente “0” em todas as empresas do setor energético. Para tanto, é preciso que se criem programas completos de Segurança do Trabalho que contemplem qualificação, treinamento, reciclagem, convencimento, ferramentas adequadas, EPIs, EPCs e veículos revisados periodicamente. E tudo isso, em um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam como parte integrante do processo e em condições psicológicas adequadas para enfrentar um intenso dia de trabalho”, afirma a direção do Sinergia CUT.

Junto com o Sindicato, diga “não à precarização das condições e ambiente de trabalho”. Pela saúde. Pela vida!

O que é assédio moral?
“O assédio moral e sexual nas relações de trabalho ocorre frequentemente, tanto na iniciativa privada quanto nas instituições públicas. A prática desse crime efetivamente fortalece a discriminação no trabalho, a manutenção da degradação das relações de trabalho e a exclusão social.

O assédio moral e sexual no trabalho caracteriza-se pela exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e relativas ao exercício de suas funções.

Tais práticas evidenciam-se em relações hierárquicas autoritárias, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes, dirigidas a um ou mais subordinados, entre colegas e, excepcionalmente, na modalidade ascendente (subordinado x chefe), desestabilizando a relação da vítima.”

Cartilha “Assédio Moral e Sexual no Trabalho”

do Ministério do
Trabalho e Emprego