Dia 8 de março. Dia Internacional da Mulher e de luta. Sempre

Textos existem para informar. Formar opinião. Esclarecer. Ditar rumos. Mudar a história. Ou como uma confissão de culpa. Neste dia 08 de março, a comemoração do Dia Internacional da Mulher e o que vamos refletir agora englobam todos esses requisitos.

Óbivio, você lerá textos sobre a força da mulher, sua determinação em cuidar da casa e dos filhos ou sua presença cada vez mais forte no mercado de trabalho.

Como também você vai ler que a data foi criada. Conhecerá os motivos e os fatos históricos responsáveis pela presença no calendário do evento.

Vai saber que no dia  28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos foi comemorada a data pela primeira vez  por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória de uma greve, realizada no ano anterior, que mobilizou as operárias na indústria do vestuário de Nova York contra as más condições de trabalho.

Uma pergunta incomôda paira no ar: quando ocorrerá na sociedade uma efetiva mudança de comportamento em relação às mulheres?

Quando não existirão mais dúvidas sobre seus direitos de ocupação de espaço em todos os meandros da sociedade?

O que precisa acontecer para que o machismo seja enterrado de uma vez por todas em uma sociedade marcada pela exclusão social e o preconceito?

Quando existirá uma mea culpa de homens, mulheres (sim, existem mulheres dotadas de cultura machista, infelizmente)  e de todos os brasileiros de que uma presidenta legitimamente eleita foi, antes de tudo, vitima de uma onda de misoginia como nunca antes verificada no Brasil?

A verdade nua e crua é que podemos e devemos utilizar a data para reforçar o espaço de luta e de fala de todas as mulheres, como também denunciar as atrocidades cometidas todos os dias contra elas. E buscar que tais predicados negativos façãm parte do passado.

Duvida? Os números e as estatísticas encarregam de tirar o véu da hipocrisia do seu rosto.

Basta dizer que em  2016, 37,8% dos cargos gerenciais no país eram ocupados por mulheres, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a presença feminina em cargos de gerência diminuiu nos últimos anos, pois em 2011, elas respondiam por 39,5% destes cargos. Comemorar ou protestar? Protestar. Muito.

O que dizer então da informação divulgada pelo portal G1, de que doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil. A conta é dolorosa: são 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Perguntamos: o que comemorar? Nada.

Poderíamos esticar e demonstrar outros dados e estatísticas, mas o que importa é que todos nós, trabalhadores, não podemos perder de vista também o quanto as mulheres são vítimas no seu ambiente de trabalho, seja com assédio moral ou sexual. Fruto de um país patriarcal e machista e que não mede as consequências das sequelas criadas.

A sociedade não deve apenas um pedido de desculpas por anos e anos de violência e discriminação contra as mais 104 mulheres que habitam o Brasil. Precisamos mudar de postura. E fazer com que a data ganhe um sentido que todos desejamos. É o mínimo que desejamos fazer.

Apesar dos obstáculos, o Sinergia CUT cumprimenta e reconhece o protagonismo de todas as mulheres energéticas. Parabéns! Veja abaixo a declaração do presidente do Sinergia Campinas, Carlos Alberto Alves, sobre este dia.