Entrevista exclusiva - Paulo Paim

Senador não joga a toalha e aposta em reviravolta na Reforma Trabalhista

Envolvido em intenso debate no Congresso Nacional para evitar retrocesso a classe trabalhadora, o senador Paulo Paim (PT-RS) ainda vislumbra a luta e a resistência como instrumento para barrar o avanço da Reforma Trabalhista. “Eu nunca jogo a toalha”, afirmou nesta entrevista exclusiva ao jornal do Sinergia CUT. Nesta entrevista, o parlamentar explica de modo pormenorizado porque a reforma proposta pelo governo ilegítimo é uma fraude e aproveita para desmitificar alguns argumentos encaminhados pelos empresários. Confira a entrevista.

Por que a Reforma Trabalhista proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer é prejudicial aos trabalhadores? Em quais pontos a sua proposta difere daquela encaminhada pelo Palácio do Planalto?

Com as mudanças na legislação trabalhista aumentarão o desemprego e a pobreza. A ideia de negociações coletivas e individuais se sobreporem ao que está na legislação – o chamado negociado sobre o legislado – vai acarretar, na prática, a redução de direitos já conquistados pelos trabalhadores ao longo de décadas. Os patrões pressionarão empregados a aceitar qualquer coisa para permanecer no emprego. Eu não estou dizendo que a gente não possa fazer uma reforma, mas não isto que está aqui. Isto é inaceitável. Pelas palavras do próprio relator eu digo: Não precisamos rejeitar na íntegra como estou propondo. Vamos construir um substitutivo. Vamos ver o que é viável e o que não é. Vamos aprovar aqui e remeter para a Câmara dos Deputados. Se o Senado não o fizer, ele não tem mais razão de existir. O meu parecer defende a rejeição integral ao projeto da reforma trabalhista e o documento trata especialmente de quatro temas: condições de trabalho, organização sindical, negociações coletivas e justiça do trabalho.

Essa  Reforma Trabalhista do governo ilegítimo, mesmo que indiretamente pode ajudar no aumento dos acidentes de trabalho e da precarização? Por que?

Sim, Infelizmente com essa reforma aumenta o número de acidentes no trabalho, pois está comprovado que os maiores índices de acidente do trabalho acontecem na terceirização. De cada 10 acidentes no trabalho hoje no Brasil, 8 ocorrem com profissionais terceirizados. De cada 5 mortes no ambiente de trabalho, 4 no mundo das empresas precarizadas. Quando a reforma trabalhista propõe que o trabalhador assine um documento assumindo o risco de acidente no local de trabalho, isso já demonstra total irresponsabilidade por parte do empregador. Isso é um absurdo.

Os empresários sempre afirmam que a Reforma Trabalhista é necessária porque contratar é algo muito caro no Brasil. Pela linha de raciocínio deles, quem recebe R$ 1000 obriga a empresa a pagar o mesmo valor ou na melhor das hipóteses, 40% ou 50% de encargos. Como o senhor responde essa crítica?

Os empresários devem sempre defender alguma reforma trabalhista, mas, deveriam defender a diminuição de encargos e impostos pagos pelas empresas para reduzir o seu gasto, e não defender a retirada de direitos dos trabalhadores. O Brasil está entre os países de terceiro mundo, com um dos menores salários mínimos. Não tem como ficar comparando com grandes potências econômicas como estão fazendo, onde o salário é muito maior que o nosso.  

Que impacto esta reforma teria no setor sindical brasileiro?

Essa reforma é perversa, cruel e desonesta. Por defender as leis de negociação individual sem a participação dos sindicatos, isso é tirar o direito de negociação do trabalhador. Que país é esse?

O senhor sempre foi defensor da política de valorização do salário minimo. E do crescimento como forma de gerar riqueza e aumento de renda. O senhor acha que a população está consciente de que tais conceitos podem ser perdidos com a Reforma Trabalhista?

Acho que não estão consciente do dano irreparável que essa reforma vai provocar na vida dos trabalhadores.

Como o senhor analisa o papel dos meios de comunicação na cobertura da votação da Reforma Trabalhista?

É muito triste ter que reconhecer que há uma cobertura tendenciosa ao que é fato no Senado, e ao que é mostrado para a população pela grande mídia

Existe chance de convencer a base de Michel Temer do equívoco da Reforma Trabalhista?

Eu sou daqueles homens nunca jogam a toalha. A minha palavra de ordem é Resistência. Acredito que se a população brasileira fizer a pressão nas ruas como deve ser feita, e cobrar dos seus parlamentares, essa reforma não passará.