A luta de Zumbi dos Palmares também é nossa!

Feriado em diversas cidades e estados chama a atenção para a luta contra a discriminação racial

Dia 20 de novembro. Uma data já marcada na história do Brasil. A luta da população negra e dos excluídos transformou este período no verdadeiro palco para reflexão, luta e protestos. O dia 13 de maio, cravado na história como o dia da Abolição da Escravatura ainda tem importância e simbologia. Mas nada supera quando a vitória é construída pelas próprias mãos. Assim como fez Zumbi dos Palmares. Assim como se posiciona cada um dos negros e negras existentes no Brasil.

A batalha só está no começo. A discriminação ainda dá suas caras no cotidiano. Extermina, segrega, mata a alma e o sentimento de quem deseja respeito, dignidade e cidadania. Não é atendido. Os números são chocantes, machucam e provam que não chegamos nem no prelúdio antes de alcançar o final feliz.

Pegue como um exemplo aqueles que alcançam o topo da hierarquia intelectual, ou seja, a universidade. Exemplo disso é a pesquisa divulgada pelo Ministério do Trabalho e que tem como título Características Do Emprego Formal da Relação Anual De Informações Sociais (Rais) 2014.

Os dados são alarmantes, pois para cada 100 reais ganhos por trabalhadores brancos com ensino superior, um negro graduado ganha 67,58 reais. A média de salário entre negros formados é de R$ 3.777,39 contra R$ 5589,25 de brancos, quantia 47% maior.

E nestes três anos, o fosso aumentou de maneira alarmante devido às políticas excludentes do governo ilegítimo, como a Reforma Trabalhista, que entrou em vigor neste mês de novembro. De quebra a política econômica que viabilizou a geração de 15 milhões de desempregados.

De acordo com dados do IBGE, entre 2015 e o primeiro trimestre de 2017, a remuneração recebida por brancos em todos os trabalhos teve variação positiva de 0,8%. Já o rendimento de pardos caiu 2,8% no período, e o de negros, 1,6%, de acordo com dados e classificação do IBGE. Ou seja, discriminação na veia e a destruição das conquistas forjadas no período de 2003 a 2015.

Durante os governos eleitos democraticamente, o quadro era diferente, pois entre o primeiro trimestre de 2012, início da série histórica, e o último de 2014, o rendimento de negros cresceu 8,6%, o de pardos, 6,5%, e o de brancos, 5,6%.

Resultado: se o quadro exposto pelo Ministério do Trabalho é tenebroso, o IBGE exibe a devastação promovida pelo governo ilegítimo, pois um negro ganha 56% do rendimento médio de um branco.

Mais: o Instituto explica que enquanto quase metade dos brancos está empregada em vagas com carteira, os negros concentram-se no mercado informal, em vagas sem carteira ou como autônomos, segundo dados de 2015 do Ipea.

Qualquer ângulo de análise demonstra que o 20 de novembro precisa ser utilizado como instrumento de luta. Que negros de todas as partes do Brasil lutem por seus direitos e derrubem o preconceito que impedem a ascensão de milhões de brasileiros.

Democracia não é apenas consumada com o voto e sim em uma sociedade com oportunidade para todos.