Sinergia Campinas, 83 anos: uma história de luta e resistência

Eletricitários e eletricitárias do interior de SP continuam construindo um Sindicato ousado e combativo, mais de oito décadas depois da fundação da entidade, em 10 de agosto de 1934

Com o nome de Sindicato dos Operários em Fiação, Luz e Força, o Sindicato foi fundado oficialmente, como uma entidade municipal, em 10 de agosto de 1934. Dez anos depois, em 26 de fevereiro de 1944, a nomenclatura mudou para Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de Campinas, então com com base regional. Ao longo dos anos, a base legal foi ampliada – antes e depois de se transformar no Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas (Stieec), em 21 de julho de 1981.

Alvo da ditadura

Mas a história de combatividade começou em 9 de fevereiro de 1963, com a posse de uma diretoria identificada com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que ficou no comando da entidade até ser cassada, em abril de 1964.

Vale lembrar que há 53 anos, o golpe militar matou, torturou e prendeu lideranças e militantes de oposição, inclusive sindicalistas, em todo o Brasil. O Stieec foi um dos alvos de uma intervenção autoritária para calar a voz da diretoria ligada ao PCB.

Combatividade de volta                                    

Muitas histórias e muitos anos depois, a ousadia da luta só foi retomada em 1987, quando a chapa da CUT, de oposição aos pelegos de cartório, retomou a entidade e resgatou o papel do Sindicato como o legítimo representante dos eletricitários e eletricitárias do interior de SP.

O Brasil avançava rumo à redemocratização. E o Stieec começava a escrever uma nova história a partir dos princípios da CUT, com disposição de luta, consciência de classe, transparência e democracia. Mas, principalmente, com muita ousadia para enfrentar os desafios e os ataques dos patrões das empresas ainda estatais.

Maior greve da história

Maior exemplo desses novos tempos de unidade na luta foi a histórica greve de 10 de maio de 1989, que durou mais de uma semana e paralisou as principais usinas paulistas, apesar das punições injustas e das demissões ilegais, pouco depois anuladas pela Justiça.

Defesa do patrimônio público

Não dá para esquecer também da prioridade da luta para preservar o patrimônio público e garantir a qualidade da energia que chega à população durante todos esses anos.

Bons motivos para que a entidade, no início dos anos 90, apresentasse denúncias comprovadas dos cabides de emprego nas então estatais e do desvio de dinheiro de aposentados pela diretoria pelega.

Luta contra a privataria

Pouco tempo depois, o Sindicato lidera a luta contra a privataria tucana, que retalhou as empresas, rifou o patrimônio dos paulistas e repassou o controle acionário ao capital privado, que acabou transformando um serviço essencial à vida em fonte de lucro para poucos.

Esse novo tempo de combatividade trouxe também a ousadia de uma prática sindical que faz a diferença até hoje, a partir da Organização nos Locais de Trabalho (OLT), com eleições diretas para Representantes Sindicais.

Vanguarda sindical

Tanta ousadia fez do Stieec o primeiro sindicato do Brasil a impedir o desconto compulsório do Imposto Sindical e investir na autossustentação financeira. Faz quase trinta anos que o Sindicato ou impede o desconto do imposto ou devolve os 60% da parte que lhe cabe a todos os sindicalizados.

Vale destacar ainda os Acordos Coletivos que garantem mais renda e mais empregos, ao impedir demissões em massa. Direitos que são conquistas da luta diária e da capacidade de negociação com o respaldo da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras na base.

Projeto Sinergia CUT

Ainda na vanguarda do movimento sindical, o Stieec investe também na organização por ramo e, junto com o Sindgasista, transformou um antigo sonho em uma nova realidade: a criação do Sinergia CUT, referência nacional de liberdade e autonomia sindical.

Foi em 16 de novembro de 1997 que uma assembleia histórica – com a participação de mais de mil trabalhadores e trabalhadoras dispostos a unificar e fortalecer a luta da categoria energética em todo o estado de São Paulo – aprovou a criação do Sinergia CUT, entidade que  nasceu para combinar a atuação classista com a luta por cidadania.

Na prática, o Sinergia CUT comprova ainda que sindicalismo independente e combatividade exige legitimidade e representatividade ampliadas, contando atualmente com o reforço do Sinergia Presidente Prudente, SindLitoral, Sinergia Bauru, Sindluz Araraquara e Sindergel Mococa. Atualmente, são sete sindicatos em um. E a palavra de ordem continua sendo resistência e ousadia!