Sinergia CUT quer garantias para os eletricitários, caso a Cesp seja privatizada

Reunião com o secretário da Fazenda de SP contou com a presença do deputado estadual Alencar Santana e aconteceu nesta sexta, na capital paulista

Diante da retomada do processo de privatização da Cesp pelo governo Geraldo Alckmin, os dirigentes do Sinergia CUT Wilson Marques e Gentil Freitas, acompanhados pelo deputado estadual e líder da bancada do PT na Assembléia Legistativa, Alencar Santana, participaram de uma reunião com o secretário da Fazenda, Hélcio Tokeshi, na manhã desta sexta-feira (7), em São Paulo.

A pauta dos sindicalistas e do deputado priorizou garantias para os trabalhadores de uma das últimas empresas públicas paulistas do setor de energia, caso a privatização aconteça. “Reforçamos nossa posição contrária à privatização de mais um patrimônio público do povo paulista e vamos mobilizar os eletricitários para mais essa luta. Mas apresentamos várias reivindicações que queremos ver garantidas no processo de venda retomado pelo governo tucano em outubro do ano passado”, afirma a bancada dos trabalhadores.

A falta de transparência também foi alvo de críticas. “Como sempre, todo o processo de privatização da Cesp está sendo tratado com pouca transparência pelo governo tucano. Os trabalhadores acabam ficando estressados diante da falta de informações e o Sindicato assume mais uma vez o papel de representante legítimo da categoria para garantir condições mínimas e a tranquilidade necessária caso a venda se concretize”, explica Wilson Marques.

Garantias aos trabalhadores

Nove reivindicações dos trabalhadores constam do documento oficial entregue pelo Sinergia CUT ao secretário da Fazenda, caso a privatização aconteça. Dentre elas, a garantia integral do Acordo Coletivo de Trabalho vigente, incluindo a política de emprego que impede demissões arbitrárias ou em massa.

Outra prioridade é a manutenção do vínculo dos trabalhadores ao Fundo de Pensão da Fundação Cesp, estendendo o benefício aos futuros contratados, mantendo as contribuições atualmente praticadas e preservando todos os direitos adquiridos.

O Sindicato reivindica ainda a manutenção de um representante dos trabalhadores no Conselho de Administração, a obrigação de não terceirização de quaisquer atividades-fim, a garantia dos padrões de saúde e segurança do trabalho, o respeito aos direitos dos consumidores através da prestação de serviço com qualidade e sustentabilidade ambiental.

A garantia de oferta de ações da geradora aos trabalhadores também é reivindicada, com o montante mínimo dos 5% previstos por lei e com deságio de 100%, através de um Clube de Investimentos formado pelos eletricitários da Cesp.

A bancada dos trabalhadores foi assessorada por Odette Carvalho (assessoria parlamentar), Antônio Carlos Figueira (CespInvest) e Eliana Diniz (assessoria sindical).

Depois de ouvir os argumentos e receber o documento oficial, o secretário Tokeshi afirmou que vai avaliar todas as reivindicações dos trabalhadores e dar um retorno ao Sindicato.

Audiência Pública acontece na terça

A primeira audiência pública para debater o processo de privatização da Cesp acontece na próxima terça-feira (11), em São Paulo. O Sinergia CUT estará presente para defender a não privatização da geradora, mas também para apresentar a pauta que dá garantias aos trabalhadores em caso de venda.

Vale lembrar que o processo foi retomado pelo governo Alckmin em novembro de 2016, com o edital para contratação de consultoria para preparar a privatização. O Banco Fator venceu a licitação e já trabalha com o projeto de avaliação, modelagem e execução da venda.

Na próxima terça-feira, Sindicato e trabalhadores estarão na audiência pública que acontece às 10h, no Grande Auditório da Secretaria da Fazenda, em São Paulo (Av. Rangel Pestana, 300, 17º andar, Sé). A entrada é aberta a todos os cidadãos interessados.