Sinergia CUT questiona competência do PSDB para administrar energéticas

24 fevereiro 00:51 2005

‘Tudo isso é uma confissão inequívoca do governo do PSDB de que não consegue administrar as empresas elétricas e que, portanto, a solução é passar (a administração) ou para o capital privado ou para o governo federal? É o que parece. E é a minha pergunta’. Assim, Wilson Marques de Almeida, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas e vice do Sinergia CUT, finalizou sua intervenção durante o Congresso das Comissões envolvidas na discussão do projeto de lei que autoriza a inclusão da CTEEP no PED (Programa Estadual de Desestatização).
O Congresso aconteceu na tarde de ontem (23), no Plenário Tiradentes da Assembléia Legislativa de SP, com a presença dos secretários estaduais Mauro Arce (Energia, Recursos Hídricos e Saneamento) e Eduardo Guardia (Fazenda), convocados para dar explicações sobre a grave situação financeira da CESP. A reunião foi inicialmente marcada para ser uma audiência pública, a partir de requerimento encaminhado pelo Sinergia CUT e aprovado pela Comissão de Serviços e Obras Públicas.


Dirigentes e trabalhadores de base filiados ao Sindicato lotaram o plenarinho portando faixas e camisetas da Campanha Contra a Privatização da CTEEP, CESP e EMAE, que tem como mote O povo paga, mas a luz apaga. Ouviram as considerações de abertura dos dois secretários que insistiram no discurso de que o PL 02/05 é a única salvação da CESP, já que a geradora tem que pagar dívidas de curto prazo e por isso precisa do aporte de capital das ações da CTEEP.
Não convenceram nem os trabalhadores nem os deputados da bancada de oposição. Mas acabaram admitindo que o novo projeto tucano é uma saída só de curto prazo. Os deputados governistas nada acrescentaram.


Perguntas sem resposta
A bancada de oposição, liderada pelo PT, questionou a dívida da CESP e o novo projeto tucano. Cândido Vacarezza, líder do PT, afirmou que se o Estado não tivesse se apropriado da maior parte dos R$ 7 bilhões arrecadados com a venda das cindidas da CESP, ‘a empresa não estaria devendo um centavo’. Informou também que deputados, especialistas e sindicalistas estão elaborando um projeto para sanear a CESP no longo prazo e que deverá ser apr4esentado na próxima semana.


O deputado Sebastião Arcanjo (Tiãozinho-PT) afirmou que é preciso ‘travar o bom debate’, apresentando uma alternativa concreta e definitiva para a situação da empresa e que o PL do governo tem dois problemas – de modelo, já que é preciso buscar uma saída de longo prazo, e de cenário, com a reestruturação do setor pelo governo federal. Lembrou também que, apesar dos empréstimos autorizados recentemente pelo legislativo, apenas para pagar as dívidas da geradora, a situação continuou se agravando.


Nivaldo Santana (PcdoB) considerou que o PL é um mea-culpa do PSDB, já que a privatização foi apresentada pelos tucanos como a solução definitiva para as finanças do Estado. Mário Reali (PT) questionou se o governo não iria repetir o que acabou acontecendo com a Sabesp, que teve as ações alienadas no ano passado. Enio Tatto (PT) denunciou o afogadilho do governo ao apresentar o projeto sem tempo suficiente para uma tramitação pelas comissões. Simão Pedro (PT) destacou que, sem a iniciativa do Sinergia CUT, não teria sido possível ‘esse debate mais aprofundado’ e cedeu seu tempo para a intervenção dos trabalhadores. Mesma atitude teve a deputada Maria Lúcia Prandi (PT).


Falando em nome dos energéticos, Wilson Marques começou questionando a postura tucana: ‘Parece que é regimental no PSDB a mudança de comportamento. Já tivemos um presidente que pediu para esquecermos o que escreveu. O candidato Mário Covas, que prometeu no documento ‘Choque Tucano’ não privatizar as energéticas e depois de eleito governador privatizou quase tudo. O atual governador Alckmin que disse que o processo de privatização estaria extinto e agora nos surpreende com o projeto para privatizar a CTEEP e na seqüência a CESP e a EMAE’. Finalizou com o questionamento sobre a incompetência tucana para administrar o patrimônio energético paulista. A pergunta continuou no ar.

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