Trabalhadores vão às ruas contra privatização das energéticas

01 março 00:47 2005

Para pressionar deputados a votar contra o projeto que viabiliza a privatização da CESP (Companhia Energética de São Paulo), CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) e da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), o Sinergia CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo) promoverá ato político nesta quinta-feira (03), em frente à Assembléia Legislativa (Av. Pedro Álvares Cabral, 201, Ibirapuera).


O ato faz parte da campanha ‘O povo paga, mas a luz apaga’, lançada pela CUT e pelo Sindicato no último dia 17, com o objetivo de mobilizar a população contra a venda das estatais, já que as empresas são um patrimônio público e não podem ser vendidas sem discussão e sem ampla consulta popular.


A campanha também é um protesto contra o governador Geraldo Alckmin que, depois de afirmar que o processo de privatização das energéticas estava encerrado, encaminhou apressadamente um projeto de lei que autoriza a inclusão da CTEEP no PED (Programa Estadual de Desestatização), dando o primeiro passo para a venda de todas as empresas que ainda são controladas pelo Estado.


Muita pressa
O projeto (02/05) foi entregue ao presidente da Assembléia às vésperas do Carnaval, para tramitar em caráter de urgência, e virou alvo de uma série de manobras da base governista e de atritos com deputados de oposição. A bancada tucana impôs várias manobras regimentais, convocando sessões extraordinárias e congressos de comissões para apressar a tramitação. A pressa do governo se deve a dívidas de curto prazo que precisam ser pagas pela CESP até maio.
Mas os trabalhadores também obtiveram vitórias, como a convocação dos secretários Mauro Arce (Energia, Recursos Hídricos e Saneamento) e Eduardo Guardia (Fazenda) para tentar explicar a grave situação financeira da CESP, atualmente de mais de R$ 10 bilhões apesar de vários empréstimos já autorizados pelo legislativo.


Durante a convocação, aprovada em Congresso de Comissões (Obras e Serviços Públicos, Constituição e Justiça e Finanças e Orçamento) a partir de solicitação do Sinergia CUT, os secretários de Alckmin não convenceram a galeria lotada de trabalhadores, mas admitiram que o projeto tucano de privatização é uma saída de curto prazo. Na oportunidade, o vice-presidente do Sinergia CUT, Wilson Marques de Almeida, questionou a competência do governo na gestão das energéticas.


Finalmente, na quinta-feira (24) da semana passada, os deputados governistas rejeitaram todas as emendas de Plenário, inclusive propostas alternativas ao PL, em mais um Congresso das Comissões. Com 15 votos a favor e 6 contra, o PL 02/05 entra esta semana para discussão em Plenário.


Muita pressão
Na manhã desta terça-feira (01), o Colégio de Líderes decidiu que deve haver uma inversão de pauta na sessão de quarta (02) para começar a discussão do projeto em Plenário. Durante a reunião, Wilson Marques reivindicou mais uma vez a retirada do projeto da pauta para discussão ampla de uma saída definitiva para a CESP sem que seja preciso vender a CTEEP. ‘É preciso avaliar os riscos que mais uma privatização das energéticas representa para toda a sociedade, com redução de pessoal e dos investimentos necessários, queda na qualidade dos serviços e mais aumento das tarifas’, alertou.


Como o prazo mínimo de discussão do projeto em Plenário é de 12 horas, os trabalhadores dão início ao ato político pouco antes da sessão de quinta (03). O ato conjunto com a CGT começa às 16h e deve reunir trabalhadores das três empresas, na capital e em várias cidades do interior e litoral, além de lideranças políticas e sindicais.

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