Trabalhadores pressionam. Governistas perdem de novo

04 março 00:44 2005

‘Diga não à privatização’ virou o grito de guerra dos trabalhadores energéticos que lotaram a galeria do Plenário da Assembléia Legislativa durante a tarde e a noite de ontem (03) para protestar contra o projeto tucano que viabiliza a privatização da CTEEP, CESP e EMAE. A caravana organizada pelo Sinergia CUT contou com a participação de trabalhadores da ativa e aposentados de Bauru, Campinas, Ilha Solteira, Ribeirão Preto, Rio Claro e São José do Rio Preto, além do pessoal da capital.


A intenção dos deputados da base de sustentação do governo Alckmin era apressar o trâmite do PL 02/05, inclusive com a convocação das duas sessões extraordinárias permitidas. Isso porque a matéria está em regime de urgência e precisa de 12 horas de discussão antes de ser votada. Desse prazo já decorreram 2h30 em sessão extraordinária realizada na noite de quarta-feira (02).


Mas a pressão dos trabalhadores impôs mais uma derrota aos governistas chefiados pelo PSDB. Pelo segundo dia consecutivo, eles não conseguiram colocar o projeto em discussão na sessão ordinária por falta de quorum mínimo – foram 39 votos favoráveis à inversão da ordem do dia, sendo 48 os necessários para aprovação.


O presidente então convocou mais uma sessão extraordinária para as 20h, também marcada pela ausência de deputados para defender o projeto tucano. Aliás, uma atitude que vem caracterizando a prática dos governistas na Assembléia e que já havia sido anunciada pelo deputado Adriano Diogo (PT) – aprovar os projetos de interesse do governo sem discussão, na calada da noite e sem a presença da imprensa e da população.


Vários deputados de oposição, liderados pelo PT, usaram a tribuna para denunciar a manobra do governo para vender o que resta do patrimônio público energético. Com números e cálculos comprovaram que o valor arrecadado com as ações da CTEEP não é suficiente nem para pagamento das dívidas de curto prazo da CESP, derrubando os argumentos que vêm sendo usados para aprovar o PL. Insistiram também na discussão ampla de uma proposta alternativa e definitiva para solucionar a enorme dívida da geradora.


O único deputado inscrito para defender o PL mudou o discurso na hora e quis fugir do assunto. Com ironia, Giba Marson (PV) comunicou que iria discorrer sobre outro projeto. Provocou a indignação da galeria lotada que, durante 30 minutos, abafou o discurso com vaias, assobios e apitos para exigir respeito democracia.


O plantão permanente do Sinergia CUT continua nesta sexta (04)e segunda (07) mesmo sem sessões na Assembléia. A discussão do PL deve ser retomada na terça (08).

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