A conta da privataria

15 março 00:42 2005

Perdas, danos e contas a pagar. Esse sempre foi o saldo deixado pelos governos FHC e Geraldo Alckmin com a pressa neoliberal de privatizar serviços essenciais a qualquer preço. O Sinergia CUT também sempre denunciou o festival de irregularidades e acionou judicialmente o Ministério Público para apurar denúncias de corrupção. Agora, finalmente, depois de quase dez anos, há provas suficientes para afirmar que as privatizações foram danosas ao patrimônio público do Brasil e de São Paulo. Notícias já vem sendo divulgadas em revistas semanais, apesar de Alckmin continuar blindado pela grande imprensa.
Dois acontecimentos recentes desmascararam a farsa montada pelos tucanos para justificar e apressar as privatizações. O primeiro fato foi provocado pelo próprio governador de SP ao encaminhar, com pedido de urgência urgentíssima, o PL que inclui a CTEEP no PED à Assembléia Legislativa. A atitude apressada fez desmoronar o antigo discurso de que, pelo seu caráter estratégico, a transmissão deveria ser mantida sob controle estatal.


A contradição absurda e oportunista serve agora a outro discurso – o de que é preciso salvar a CESP, usando a saudável CTEEP para pagamento de dívidas de curto prazo. A maior geradora de SP e terceira do Brasil acumula a astronômica dívida de R$ 13 bilhões, apesar dos três empréstimos do BNDES entre 2002 e 2004.


Outro fato que incomodou os tucanos foi criado a partir do comentário público do presidente Lula de que foi informado de indícios de corrupção nas privatizações, logo no início de seu governo. A fonte seria o então presidente do BNDES, banco que teve participação decisiva em todos os leilões, financiando o capital privado com dinheiro público. Para o então presidente Carlos Lessa, essa participação do BNDES estimulou os compradores e facilitou só o negócio. ‘Não se fez o teste do bom comprador. O negócio foi feito em cima de quem pagasse mais.(…) Foi uma convocação e um estímulo para aventureiros’, lamentou o economista à Carta Capital.


Esse bom debate deveria acontecer agora também na Assembléia Legislativa, mas vem sendo esvaziado pelos deputados da base de Alckmin. Ninguém tem argumentos para rebater o que já é consenso: que as privatizações foram contra o interesses público, o interesse do Estado e o interesse da população, favorecendo apenas alguns poucos grupos privados que ganharam muito dinheiro. Para nós, só sobrou a conta da privataria.

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