‘Privatizar a CTEEP é estelionato’, denuncia o Sinergia CUT

09 maio 00:27 2005

‘A verdadeira intenção de Geraldo Alckmin é privatizar a CTEEP e deixar a dívida da CESP para o próximo governador, já que em janeiro de 2007 será outro o ocupante do Palácio dos Bandeirantes’. Foi assim que o vice-presidente do Sinergia CUT, Wilson Marques de Almeida, voltou a denunciar a manobra eleitoral do governador de São Paulo que, às vésperas da eleição, tenta disfarçar sua incompetência administrativa pelo caminho mais fácil – a privatização.


Dessa vez, a denúncia foi feita durante audiência pública realizada na Assembléia Legislativa na terça-feira (03) da semana passada para debater a crise financeira da CESP e a tentativa de privatização da CTEEP, através do PL 02/05. Estiveram presentes representantes dos governos federal e estadual, além de deputados, a maioria ligada a bancada de opsição. Dirigentes do Sinergia CUT, trabalhadores da ativa, aposentados e sindicalistas lotaram o Plenário Juscelino Kubitschek, o principal da Casa durante toda a tarde.


Representando o governo federal estava o chefe de gabinete do Ministério das Minas e Energia, Denilvo Morais, fundador do CRE da Eletropaulo e presidente por três madatos, que reconheceu que as duas empresas são importantíssimas para o sistema elétrico nacional mas afirmou que o problema é estadual.


‘Queremos privatizar’, admite Arce – Pela primeira vez, o secretário estadual de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, Mauro Arce, admitiu publicamente que a intenção do governo tucano é realmente privatizar a CTEEP. E mais uma vez reconheceu que a privatização da empresa de transmissão só resolve a crise da geradora no curto prazo.


A dívida da CESP é de R$ 11 bilhões.
‘A CESP tem um custo operacional baixo, cerca de R$ 50 milhões por ano, e todos os investimentos previstos foram realizados. Mas a receita da empresa não paga os juros de sua dívida. Assim, é preciso capitalizar a empresa para que a dívida possa ser renegociada com o BNDES’, reconheceu Arce.


Bancada petista exige retirada do PL – Foi o suficiente para provocar a reação de todos os deputados de oposição, principalmente a bancada do PT que criticou a medida paliativa, questionou a responsabilidade do governo de SP e apontou o fracasso da privatização tucana (leia trechos nesta página).


O deputado Tiãozinho (PT), dirigente do Sinergia CUT rebateu os argumentos do secretáriotucano e ressaltou que ‘a retirada do projeto que privatiza a CTEEP da pauta da Assembléia é fundamental para construir uma alternativa viável, que é a criação da Companhia Paulista de Serviços Públicos de Energia e Infra-Estrutura, uma holding sob controle do Estado.


O secretário Mauro Arce disse que não havia recebido a proposta alternativa oficialmente e que só tinha informações da holding pela imprensa. Tiãozinho lembrou que todas as lideranças partidárias receberam o documento e lamentou que o líder do governo não tivesse encaminhado a proposta devidamente. ‘Quero aproveitar esse momento e entregá-la agora e oficialmente’, rebateu de pronto.

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