Propostas indecentes

09 maio 00:26 2005

Leia o editorial publicado no Jornal do Sinergia CUT no 651:
‘Má gestão, incoerência e oportunismo. Três conceitos que mostram a verdadeira cara do governador Geraldo Alckmin, que continua blindado pela grande imprensa principalmente agora que está em campanha eleitoral.


A má gestão vem desde quando era o presidente do desastroso programa de privatização, adotando o modelo que esquartejou as estatais, endividou a CESP para leiloar as cindidas e não prestou contas do dinheiro arrecadado nos leilões. Continua depois, quando deixa a dívida da geradora chegar em astronômicos R$ 11 bilhões, apesar dos vários empréstimos autorizados.


A incoerência é aprofundada quando propõe a privatização da CTEEP, a mais saudável e mais lucrativa de todas as empresas de transmissão do Brasil, com a desculpa de que (agora sim!) poderá sanear a dívida da CESP.


Levantamento feito pelo Sinergia CUT dá a mais exata tradução da CTEEP em números: patrimônio de R$ 4,6 bilhões, com 102 subestações responsáveis pela transmissão de 60% da energia da região sudeste e de 30% de todo o país. Investimentos de R$ 172,7 milhões em 2003 e de R$ 162,7 milhões em 2004. Lucro líquido que cresce em progressão geométrica: R$ 349 milhões em 2004, 56,8% a mais que em 2003, valor que foi 32,3% maior que o de 2002, que cresceu 72,4% em relação a 2001.


O oportunismo é reafirmado agora com a revelação das duas propostas feitas recentemente por Alckmin ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, logo após o pagamento da parcela de R$ 120 milhões, em abril. Vale lembrar que a dívida de curto prazo da CESP totaliza R$ 1,2 bilhão.
Para ganhar tempo até a eleição, Alckmin propôs: 1) que o governo federal suspenda todos os vencimentos da dívida até janeiro de 2007, possibilitando a privatização da CTEEP para capitalizar a CESP e deixando a retomada do pagamento para o próximo governo; ou 2) que o governo federal congele os pagamentos devidos, aguarde a privatização da CTEEP e só depois volte a cobrar a dívida do governo estadual. Em resumo: duas propostas indecentes.’

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