Deputados rifam mais um patrimônio público

24 maio 00:19 2005

Em sessão ordinária na quarta-feira (18) da semana passada, o trator tucano voltou a atropelar qualquer discussão consistente e acionou o piloto automático na votação do PL (Projeto de Lei) 02/05, que autoriza a privatização da CTEEP. O painel eletrônico registrou 23 votos contra e 66 votos a favor da privatização, sob vaias intensas dos trabalhadores e sindicalistas que lotaram corredores e galerias durante toda a tarde.


Só os deputados do PT e do PC do B votaram contra o projeto tucano. A favor do governo, além da bancada do PSDB, votaram também PDT, PV, PP, PSB, PRP, PSC, PPS, PTB, PFL, PL e PMDB. Um resultado favorável depois que Alckmin conversou com os líderes do PL e do PMDB e prometeu cargos para compor seu secretariado, afirmou a bancada de oposição. ‘Ganhamos na argumentação. Essa maioria tucana não é estável nem para todos os projetos. Só aconteceu porque o governo loteou a máquina para obter maioria nesta votação’, afirmou Renato Simões, líder do PT, em entrevista aos jornalistas.


Lição de resistência
Apesar da maioria de votos, nenhuma defesa consistente foi feita em favor da privatização da CTEEP. Os governistas pareciam estar apenas cumprindo ordens do governador do estado. Fingiram não escutar o apelo dos trabalhadores para que votassem contra a privatização da mais estratégica empresa de transmissão paulista.


O som de vaias, apitos e até do Hino Nacional abafaram a palavra de deputados que tentaram defender timidamente o projeto tucano. Os trabalhadores também acenaram com a reprodução de notas de dólar americano e atiraram moedas ao plenário na hora em que o líder do governo tucano, Edson Aparecido, tentou defender a projeto.

Lição de cidadania
Também foram várias as vezes em que os trabalhadores viraram as costas para o plenário, num recado direto de que a resposta do povo virá das urnas. E é exatamente para denunciar todos os deputados que votaram pela privatização da CTEEP que o Sinergia CUT publica um encarte especial neste jornal. Um encarte que identifica os vendilhões do patrimônio público e que será espalhado pelos energéticos por todo o estado de SP. Se eles disseram sim à entrega de mais um patrimônio dos paulistas, ouvirão um sonoro não da população na próxima eleição.

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