CPFLs: assembléias decisivas

08 agosto 20:53 2005

O Sinergia CUT está realizando, desde a manhã desta segunda (04), assembléias deliberativas com os trabalhadores do Grupo CPFL para aprovação, ou não, da proposta final negociada com a direção da Paulista e da Piratininga. A negociações estão encerradas. As propostas negociadas são o limite das mesas, que só avançaram pela pressão das mobilizações que pipocaram em todos os locais de trabalho.


Para a direção do Sinergia CUT as propostas trazem vantagens econômicas e garante a tranqüilidade à categoria com a prorrogação do Acordo Coletivo até 2007. Foi um jogo duro para vencer a disposição das empresas que, articuladas e combinadas, estavam dispostas a conceder apenas o reajuste econômico do IPC da Fipe, historicamente o índice referência do setor energético. E nem queriam ouvir falar em prorrogação dos ACTs.


Desde o início, os negociadores do Sinergia CUT tiveram que radicalizar na mesa, apesar dos argumentos inquestionáveis que demonstraram os lucros astronômicos. Foi preciso combinar essa capacidade de negociação com a mobilização nos locais de trabalho para mostrar à direção das CPFLs que este ano os trabalhadores não iam mesmo abrir mão de seus direitos.


Essa disposição de luta dos trabalhadores venceu a intransigência das empresas que, desgastadas na Justiça, tiveram que negociar de verdade e avançar nas propostas. 2005 foi de fato o ano da virada dos trabalhadores. Inclusive com o resgate da mobilização nos locais de trabalho. Isso fez toda a diferença.


Aumento real – Análises do Sinergia CUT apontam que nenhuma outra categoria com data base em junho chegou a um índice próximo dos 8,25%. E, diferentemente do ano passado, quando a inflação voltou a subir logo depois das negociações, a tendência agora é de queda e a categoria poderá sentir a diferença do aumento real. Em cima de 13 salários, os 0,5% representam mais 7,02% nos salários ao longo de um ano. Sem falar nos benefícios econômicos. Não é pouco.


Outro avanço – na Paulista, Geração, Brasil e Centrais Elétricas – é o pagamento da periculosidade em cima do salário cheio, como determina o enunciado 191. Mais um ganho real para o bolso da categoria, sem abrir mão do passivo da ação que continua na Justiça.


Nessas empresas, mais grana no bolso virá através da Comissão Mista que vai buscar, no prazo de um mês, uma solução negociada para o problema da NDV, também sem abrir mão da ação judicial e de uma recompensa por todos os prejuízos já causados aos trabalhadores.
Mais tranqüilidade – Mas a grande conquista da mobilização foi sem dúvida a prorrogação do Acordo Coletivo até 2007 e, conseqüentemente, da garantia da Política de Emprego. Não foi por acaso que os negociadores das empresas não queriam nem ouvir falar em estender a vigência do atual ACT além de 2006.


O motivo é óbvio: a próxima revisão tarifária da CPFL Paulista acontecerá em abril de 2007. Para repassar a tarifa, a Aneel não considera os gastos com PLR integral e qualquer benefício econômico acima do que manda a lei – e todos os benefícios econômicos dos trabalhadores são maiores do que os previstos na legislação, fruto de conquistas de acordos anteriores.


Pior é a empresa de referência, uma empresa virtual criada pela Agência onde os trabalhadores são apenas um detalhe. Assim, a prorrogação do Acordo Coletivo até 2007 é a certeza de mais tranqüilidade para os trabalhadores por mais dois anos. Grande vitória!
Piratininga – A proposta negociada na mesa com a CPFL Piratininga também tem avanços específicos, rumo à equiparação do Acordo Coletivo com o da Paulista, Geração, Brasil e Centrais Elétricas. Vale destacar o aumento do quadro mínimo de pessoal de 1000 para 1090 trabalhadores e a redução da rotatividade de 2,5% para 1,5% durante a vigência do Acordo Coletivo, até 2007. Apesar de o Sindicato ter insistido em acabar com a discriminação do pessoal da Piratininga já, a empresa alegou que só iria negociar as reivindicações econômicas. Mas a Carta Paralela que a empresa assinará com o Sinergia CUT caso a proposta seja aprovada também é um avanço, pois prevê negociação da cláusula de Política de Emprego em 2006. Na proposta econômica, os trabalhadores que mudaram para a escala 6X8X3 receberão indenização de R$ 500.


Por tudo isso, o Sinergia CUT encaminhará a proposta negociada com as CPFLs para aprovação nas assembléias. Participe. A decisão é dos trabalhadores!

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