Distribuidoras propõem só 6%. Nada mais

08 agosto 20:36 2005

Apesar dos lucros astronômicos, CPFL Paulista, CPFL Piratininga e Elektro apresentaram a mesma e inaceitável proposta de apenas 6% de reajuste nos salários e benefícios. E isso não é mera coincidência. Contrataram o mesmo consultor para negociar, fizeram o mesmo discurso na mesa e adotaram a mesma atitude de não reconhecer na prática a importância dos trabalhadores na conquista dos bons resultados financeiros e dos famosos prêmios de qualidade. O Sinergia CUT recusou todas as propostas na mesa e deixou claro que a categoria exige , e merece, respeito. Acompanhe um resumo do que rolou na quinta (09) e sexta (10) da semana passada:
CPFL Paulista – O melhor resultado, a pior proposta. Os números da Paulista não deixam dúvida. Desde a privatização até o ano passado (1998 a 2004), o IGP-M (indexador dos contratos de concessão) chegou aos 123,2%, o IPCA ficou em 64,5%, o IPC foi de 51,16%, a tarifa aumentou 170,8%, a parcela B da revisão tarifária (que inclui gasto com pessoal) subiu 81,3%… mas os salários dos trabalhadores foram reajustados em 50,99% nesses sete anos.


Sem falar no lucro astronômico do ano passado e dos R$ 121,5 milhões de lucro só no 1o trimestre deste ano. São números que demonstram a excelente saúde financeira da premiada distribuidora que, na teoria, afirma reconhecer e valorizar o quadro de pessoal, mas na prática sequer está disposta a repor a inflação dos últimos 12 meses. Muito menos reconhece o desempenho da categoria na obtenção de marcas recordes.


Por tudo isso, o Sinergia CUT rejeitou os miseráveis 6% e afirmou que os trabalhadores não abrem mão dos 8,46% de reposição das perdas mais aumento real de salários, PLR maior, vigência do ACT até 2008 e negociação permanente. Porque a categoria exige, e merece, respeito.
CPFL Piratinga – Na Piratininga, não é diferente. Além do cenário favorável dos últimos anos, em 2004 a distribuidora registrou lucro líquido de R$ 93,1 milhões, com recuperação de receita de R$ 16,5 milhões e crescimento da receita bruta em 12,8%. Só no 1o trimestre de 2005 registrou mais de R$ 53 milhões de lucro, aumento de 50,24% em relação ao mesmo período do ano passado. Sem dívidas, tem ótima saúde financeira para avançar (e muito!) na proposta econômica e negociar cláusulas sociais que acabem com as diferenças impostas aos trabalhadores.


No econômico, o Sinergia CUT reivindicou os 8,46% de reajuste nos salários e benefícios e aumento real. Não abre mão de negociar também a equiparação do Acordo Coletivo da com o da Paulista, principalmente em relação à política de emprego e ao quadro mínimo. Sem falar na necessidade de adotar uma política de transferência mais justa, depois da centralização das atividades em Campinas.


Para o Sindicato, é inadmissível que o Grupo CPFL continue discriminando o pessoal da Piratininga, com um Acordo diferenciado e sem as mesmas garantias dos demais trabalhadores. Chega de discriminação!


Elektro – Na segunda rodada ocorrida na última sexta (10), em Campinas, a Elektro não quis debater os bons números do último ano e afirmou que só vai negociar reajuste de salários e benefícios. Para variar, apresentou a mesma proposta de reajuste de 6%, que foi rejeitada de imediato.


Coube ao Sinergia CUT mostrar os excelentes resultados da empresa em 2004 e mostrar que, só no primeiro trimestre de 2005, houve um aumento de 609,1% no resultado do lucro líquido em comparação com o mesmo período do ano passado.


O Sindicato também demonstrou os números dos trabalhadores: 60% estão endividados na Fundação CESP pelos próximos quatro anos, a cesta básica não compra mais os itens essenciais e o vale-alimentação não cobre nem a metade da compra mensal, conforme comprovou pesquisa realizada em 23 municípios. O Sindicato ratificou que quer negociar as 32 reivindicações dos trabalhadores, principalmente o aumento real de salários. Nova rodada acontece na quarta (15).

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