Energéticos podem entrar em greve para pressionar

08 agosto 15:42 2005

Trabalhadores das três principais distribuidoras do interior paulista, filiados ao Sinergia CUT, podem decretar greve para pressionar avanços nas negociações com as direções do Grupo CPFL Energia e da Elektro. A decisão deve ser tomada em assembléias que serão realizadas em todos os locais de trabalho na próxima segunda-feira (20), com a aprovação de um plano de luta que prevê desde paralisações de duas horas até greve por tempo indeterminado.


Para a direção do Sinergia CUT é inaceitável que, apesar dos lucros astronômicos, o Grupo CPFL e a Elektro apresentem propostas muito aquém da reivindicação dos trabalhadores e das possibilidades das distribuidoras. Só a CPFL Paulista lucrou R$ 323 milhões no ano passado, crescimento de 892,2% em relação a 2003. A CPFL Piratininga obteve R$ 93,1 milhões de lucro em 2004, com recuperação de receita de R$ 16,5 milhões, enquanto a Elektro reduziu seu endividamento em R$ 237 milhões e registrou lucro líquido de R$ 259,8 milhões.


Mas até agora, a proposta de reajuste salarial da Elektro é de apenas 6,93%, índice bem próximo ao proposto pelo grupo CPFL, que é de 7%. Wilson Marques de Almeida, vice-presidente do Sinergia CUT e presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, afirma que ‘isso não é mera coincidência. As distribuidoras estão articuladas, contrataram o mesmo consultor para negociar, fizeram o mesmo discurso na mesa e adotaram a mesma atitude de não reconhecer na prática a importância dos trabalhadores na conquista dos excelentes resultados financeiros e dos famosos prêmios de qualidade’. Para Marques, ‘se 2004 foi o ano da virada para as empresas do setor elétrico, 2005 tem que ser o ano da virada para os trabalhadores. Disso a gente não abre mão’.


Todas as propostas foram recusadas na mesa de negociação. Para pressionar avanços, a proposta do Sinergia CUT é de um Plano de Luta que começa com mobilização de duas horas na próxima segunda (20), paralisação de um dia no próximo dia 27 e greve por tempo indeterminado a partir do dia 5 de julho próximo. O Plano de Luta deve ser aprovado pelos trabalhadores nas assembléias da próxima segunda (20).

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