Os podres poderes da mídia

09 agosto 00:42 2005

Leia o editorial publicado no Jornal do Sinergia 677, que circula de 25 a 31/07/05:


‘Há mais de dois meses, o Brasil acorda e vai dormir sob um verdadeiro bombardeio de novas manchetes e furos de reportagem. Mas a verdade é que, nos bastidores da notícia, a grande imprensa – com raras exceções – vem revelando uma visão parcial e uma grande vulnerabilidade à manipulação. Do noticiário aos editoriais, passando por articulistas, é notório o empenho de todos em expressar a opinião dos donos da mídia.


Basta citar alguns maus exemplos. O estopim da crise foi a estrondosa entrevista do jornal Folha de São Paulo com Roberto Jeferson, personagem de biografia duvidosa e líder da tropa de choque collorida, que passou a ser tratado e acarinhado pela mídia nacional como se fosse o baluarte da anti-corrupção.


Depois veio o depoimento do araponga-videomaker Jairo Martins de Souza à CPI dos Correios sobre suas estranhas relações com a revista Veja. Em seguida, vieram as informações do dono de agência  Marcos Valério sobre como evitou a publicação das primeiras denúncias da ex-secretária na IstoÉ Dinheiro no ano passado.


Na tevê, o âncora pseudomoralista Boris Casoy enterrou seu bordão- ‘Isto é uma vergonha’- junto com a defesa engajada dos interesses da Rede Record depois que o presidente da Igreja Universal do Reino de Deus foi flagrado com 10 milhões de reais.


Mais recentemente foi a vez do Jornal Nacional comprometer o bom jornalismo ao divulgar, na sexta 15,  a lista de pessoas que entraram na agência do banco Rural de Brasília, a partir do cruzamento do deputado líder e raivoso do PFL. Cruzamento que não levou em conta pessoas homônimas ou acima de qualquer suspeita. Um dia depois, o jornal campeão de audiência teve que recuar, e acabou mostrando o mesmo deputado inseguro e acuado ao tentar explicar seu comportamento irresponsável.


Mais perto de nós, podemos citar as matérias mentirosas envolvendo o ex-dirigente Wanderley de Freitas, que foram publicadas por todos os grandes jornais do Brasil. As falsas informações passadas pela Prefeitura de Indaiatuba sobre a Globalprev foram corrigidas por poucos. Mas ninguém publicou que Wanderley recorreu à Justiça para reparar danos morais.


Ainda não se sabe onde a atual crise vai chegar. Mas é certo que, junto com os políticos, também a grande mídia deverá ser avaliada pelo seu comportamento ético e pelo seu compromisso com  a verdade.’

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