Energéticos das estatais entram em greve para pressionar governo Alckmin

10 agosto 18:07 2005

Contra a intransigência, muita disposição de luta


Trabalhadores da CESP e da CTEEP, as duas principais estatais paulistas de energia, decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda-feira (08) para pressionar avanços nas negociações salariais com o governo Alckmin.

A decisão foi tomada em assembléias realizadas em todo o estado de São Paulo pelo Sinergia CUT, que aprovaram um plano de luta iniciado na última segunda (01), com paralisação de 24 horas  em várias cidades. Os trabalhadores fizeram um dia de protesto nas principais usinas da CESP (Jupiá, Ilha Solteira, Três Irmãos e Porto Primavera), junto com o Laboratório e o Almoxarifado (Ilha Solteira), a hidrovia Bariri-Birigui e a sede da Usina Piratininga, na capital. Na CTEEP, as paralisações aconteceram em Araraquara, Bom Jardim, Cabreúva, Chavantes, Itapetininga, Jupiá, Santa Bárbara D´Oeste e Votuporanga, além da vários locais de trabalho na capital. Em Bauru, os trabalhadores da CTEEP pararam na terça (02) em razão do feriado municipal de segunda.

A CESP é a maior empresa de geração de São Paulo e a terceira do Brasil, fornecendo energia para as principais distribuidoras paulistas – Grupo CPFL, Elektro, Eletropaulo e Bandeirante. Apesar disso, e dos vários empréstimos autorizados pela União, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a geradora passa por grave crise financeira, com uma dívida de mais de R$ 10 bilhões. A CTEEP é a maior empresa de transmissão da região sudeste, responsável pela operação e manutenção de 11.780 quilômetros de linhas através de 103 subestações. Extremamente saudável, a CTEEP fechou 2004 com lucro de R$ 349 milhões. A enorme dívida da CESP serviu de justificativa para Alckmin incluir a lucrativa CTEEP no programa de privatização, com a intenção de vender a transmissão para sanear a geradora. 

A data-base da categoria é 1o de junho. ‘A gente não abre mão’ é o mote da Campanha Salarial 2005, organizada pelo Sinergia CUT para garantir salário e renda,  qualidade do emprego e dos serviços prestados à população, liberdade e autonomia sindical. Dentre as principais reivindicações da categoria estão 8,46% de reajuste nos salários e benefícios (ICV do Dieese), 10% de aumento real e índices de produtividade específicos para cada empresa.

Mas, dois meses depois da data-base e de muita negociação, a proposta do governo tucano continua abaixo da expectativa dos trabalhadores. Nas duas empresas, a proposta autorizada pelo governador, e repassada pessoalmente pelo secretário de Energia Mauro Arce,  é de 7,71% de reajuste nos salários e benefícios (IPC da Fipe), verba de 2% da folha nominal para o PCS (Plano de Cargos e Salários), vigência do ACT por três anos e Gerenciamento de Pessoal com garantia de emprego para 98% do quadro próprio. Ou seja, além de não recuperar o poder aquisitivo dos salários, o governo Alckmin quer mexer na cláusula que garante 100% do pessoal para poder demitir trabalhadores às vésperas da privatização.  

Para a direção do Sinergia CUT, essa intransigência do governo Alckmin só será vencida com a resistência dos trabalhadores: ‘Não é por acaso que, aos trabalhadores das estatais e funcionários públicos, invariavelmente só resta a greve para pressionar avanços na negociação. E assim, uma vez por ano, é certo que trabalhadores da Saúde, Metrô, Cetesb, Sabesp, CESP, CTEEP e EMAE tenham que recorrer à greve para arrancar negociações de verdade e preservar salários e emprego’.

O Sindicato alerta também para o perigo da precarização das condições de trabalho na prestação de um serviço essencial: ‘Agora, nesses tempos de pré-privatização, o governador quer ter liberdade para demitir dezenas de trabalhadores preparados e qualificados antes mesmo da eventual venda de mais um patrimônio público a preço de banana e já pensando na redução de custos para atrair a iniciativa privada. Por tudo isso, os trabalhadores da CESP e da CTEEP não vão abrir mão de manter direitos e ampliar conquistas. Vão à greve por tempo indeterminado’.

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