CESP e CTEEP: trabalhadores aprovam proposta e suspendem greve

16 agosto 22:33 2005

A proposta negociada entre o Sinergia CUT (Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo) e o governo de São Paulo foi aprovada por ampla maioria dos trabalhadores da CESP (Companhia Energética de São Paulo) e da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) em assembléias realizadas nas últimas segunda (08) e terça (09) em todas as cidades paulistas. Com a aprovação da proposta, a categoria suspendeu a greve por tempo indeterminado.


As assembléias de segunda envolveram os trabalhadores da CESP nas usinas de Jupiá, Ilha Solteira, Três Irmãos e Porto Primavera, do Laboratório e do Almoxarifado (Ilha Solteira) e o pessoal da CTEEP em Araraquara, Bauru, Bom Jardim, Cabreúva, Itapetininga, Jupiá e Santa Bárbara D´Oeste, além da vários locais de trabalho das duas empresas na capital. Na terça, o Sinergia CUT realizou assembléias com trabalhadores da hidrovia Bariri-Birigui (CESP),  Votuporanga e Chavantes (CTEEP).


A data-base da categoria é 1o de junho, juntos com os trabalhadores das maiores empresas de energia elétrica e gás canalizado do estado. Mas, já no início da Campanha Salarial, os trabalhadores das estatais enfrentaram a resistência do governo Alckmin e recorreram a abaixo-assinados para forçar a abertura de negociações. Depois de algumas rodadas, as empresas apresentaram propostas muito parecidas  e que foram rejeitadas imediatamente pela direção do Sinergia CUT. Apesar disso, o governo decidiu interromper as negociações.


Mas os trabalhadores não estavam dispostos a abrir mão de seus direitos e aprovaram um plano de luta, que começou com paralisação de 24 horas no último dia 1o e previa greve por tempo indeterminado a partir da última segunda (08). A adesão total da categoria à greve de um dia forçou a direção das estatais e o governo Alckmin a reabrir negociações com o Sinergia CUT.


Uma reunião foi convocada pessoalmente pelo secretário de Energia Mauro Arce para o fim da tarde de quarta-feira (03) da semana passada, em São Paulo. Arce apresentou então a proposta limite da mesa de negociação: manutenção do reajuste de salários e da Gratificação de Férias nos 7,71% (IPC da Fipe), mas agora incluindo o pagamento de um abono de R$ 350 para todos e aumentos reais significativos nos benefícios econômicos – 46,88% no piso dos cargos operacionais, 8,76% no vale-refeição, 55,38% na cesta-básica, 66,67% no auxílio-creche, 100% no vale-lanche das horas extras da CESP e 133% no mesmo benefício da CTEEP, dentre outros.


O governo tucano recuou e desistiu de insistir na demissão de 2% do quadro de pessoal em cada empresa, acatando a reivindicação de manutenção da cláusula de Gerenciamento de Pessoal, que dá garantia de emprego aos trabalhadores. Inicialmente, a intenção das empresas era estender essa estabilidade por 18 meses, até dezembro de 2006. Mas a negociação só terminou de fato no início da noite de quinta (04), quando dirigentes do Sinergia CUT convenceram Arce a garantir o emprego da categoria por mais dois anos, até maio de 2007.


Para a direção do Sinergia CUT, a pressão da mobilização fez o governo avançar com uma proposta que garante os salários, aumenta a renda, preserva o emprego e a  tranqüilidade dos trabalhadores por, no mínimo,  mais dois anos. Com a aprovação dos trabalhadores, a assinatura dos novos Acordos Coletivos deve acontecer nos próximos dias. ‘Agora ganhamos um fôlego para encarar a luta contra a privatização da CTEEP e uma nova oportunidade para discutir a garantia de emprego na Campanha Salarial do ano que vem’, garantem os sindicalistas.

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