Mais de 40 mil brasileiros no ato de apoio a Lula, por mudanças na economia e contra a corrupção

19 agosto 18:13 2005

A Esplanada dos Ministérios em Brasília ficou lotada nesta terça-feira (16) e se transformou num mar de gente de todas as tribos e bandeiras de todas as cores embaladas por um só grito de guerra: ‘Olé, olé, olá, a direita quer voltar. É golpe, é golpe, por isso eu vou lutar’. Vindos dos quatro cantos do país, mais de 40 mil pessoas participaram da manifestação de apoio ao governo Lula, contra qualquer tentativa de desestabilização, por mudanças urgentes na política econômica e por uma Reforma Política como instrumento fundamental de combate à corrupção. Eram milhares de vozes de trabalhadores rurais e urbanos, desempregados, aposentados e pensionistas, mães e pais de família, estudantes de todas as idades com as caras pintadas de verde e amarelo.


A manifestação foi convocada pela CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) e reuniu a CUT, MST, UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), Marcha Mundial de Mulheres e várias outras entidades do campo e da cidade. O Sinergia CUT também estava lá. Foi só a primeira mobilização de uma série. As próximas acontecem em Salvador (BA), no próximo dia 25, e em São Paulo, no próximo dia 26.


Várias lideranças participaram do ato político, pautado principalmente pela reafirmação da Carta ao Povo Brasileiro, entregue ao próprio presidente em junho passado, que pede uma guinada nos rumos da política econômica. O documento reivindica ‘a retomada do projeto pelo qual Lula foi eleito’ através da ‘reconstrução de uma nova maioria política e social em torno de uma plataforma antiliberal’.


Para a CUT e sindicatos filiados, as mudanças na economia exigem a redução imediata dos juros e do superávit primário para garantir o crescimento sustentado e o futuro de uma imensa massa de jovens que chega todos os anos ao mercado de trabalho. ‘Precisamos de investimentos nas áreas sociais e na infra-estrutura, fortalecer o poder de compra dos salários, gerar emprego e renda, redistribuir riqueza. E isso só se faz com apoio à produção, enfrentando a especulação’, resumiu João Antonio Felício, presidente da Central.


A Reforma Política, com financiamento público de campanha e fidelidade partidária, é a melhor saída para combater a corrupção e garantir a democracia contra os golpistas, afirma Felício: ‘Não podemos aceitar que a direita desavergonhada, que dilapidou o Estado brasileiro com as privatizações, venha agora dar uma de vestal. Nós não queremos a volta dos neoliberais. Apoiamos Lula contra o retrocesso’.


Falando em nome da CUT, Felício foi ainda mais incisivo ao mirar a tentativa de golpe: ‘Ninguém vai cassar o Lula. Para cassar o Lula, terão de passar por cima dos movimentos sociais, dos estudantes, dos trabalhadores e do povo’. Para o sindicalista, Lula é um símbolo do povo latino-americano: ‘A derrota do Lula não seria somente uma derrota do cidadão, mas uma derrota da esquerda no mundo e na América Latina’.  Sinergia CUT assina embaixo. A manifestação terminou com todos os participantes, de mãos dadas, cantando o Hino Nacional.

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