OPINIÃO: com ódio ou sem ódio?

26 agosto 17:08 2005

No início do mês, o presidente Lula foi até sua terra natal, a pernambucana Garanhuns e, falando com cerca de 8 mil conterrâneos reunidos em praça pública, fez um desabafo emocionado:’Se eu for candidato, com ódio ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez, porque o povo brasileiro vai querer’. Foi aplaudido nessa primeira reação aos oportunistas de plantão que querem tirar proveito da crise.
A reação ao discurso também foi emocional. Com ódio reagiram novas e velhas raposas políticas que aproveitam para engordar o jornalismo ‘declaratório’ com seus denuncismos de ocasião. Com ódio reagiram também os donos dos meios de comunicação e a maior parte da midia, principalmente a revista Veja e suas insinuações de fim de governo à moda collorida.


Aliás, esse mesmo ódio acabou reunindo lamentavelmente os representantes da direita, e tudo o que eles representam, a parlamentares radicais de esquerda que falam com o fígado e têm sede de vingança. Uma relação perigosa que inclui até a manifestação conjunta contra o governo na quarta (17) da semana passada. Mais uma prova incontestável da eficácia de uma teoria aplicada à física e aos relacionamentos interpessoais – a de que os opostos se atraem.

Passada a ressaca da emoção, políticos e imprensa atinaram para o tamanho da irresponsabilidade de insistir em fritar Lula ao falar em cassação ou impedimento. Movimentos sociais, sindicalistas, sem-terra, estudantes e trabalhadores, cidadãos e cidadãs do povo vêm reagindo sem ódio aos discursos e com entusiasmo à agenda positiva do governo Lula.  


Todos querem apuração rigorosa das denúncias, punição exemplar dos culpados e o fim da corrupção, mas continuam ao lado do governo popular para garantir a democracia contra os golpistas de plantão. Foi essa a certeza que ficou com a primeira manifestação de apoio ao governo que levou milhares de pessoas à Brasília na última terça (16). É por isso que  ninguém mais ousa falar em cassação. Para cassar o presidente Lula terão que passar por cima do povo. Literalmente.

É por isso que a CUT e seus sindicatos, Sinergia CUT inclusive, também ficam com a certeza de que a crise atual comprova a coerência e o compromisso da Central com um país mais justo, democrático, com crescimento e distribuição de renda. Para tanto é preciso mudar o foco da política econômica e fazer a reforma política. É preciso continuar lutando pela queda dos juros, pela correção da tabela do imposto de renda, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela Reforma Sindical e por mais qualidade de vida. De preferência, sem qualquer tipo de rancor ou de ódio.

Por: Lilian Parise

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