Em defesa de SP e do Brasil, contra o golpismo e por mudanças

01 setembro 01:51 2005

Mais de 30 mil pessoas de dezenas de entidades dos movimentos sindical e social lotaram ruas e avenidas da capital paulista na tarde de sexta-feira (26) para defender a  retomada do projeto político do governo Lula e repudiar o desmantelamento que o governo Alckmin vem promovendo no estado de SP, sucateando os serviços públicos e desrespeitando o funcionalismo.

‘Contra o golpismo e o desgoverno tucano’ foi a palavra de ordem do protesto organizado pela CMS (Central de Movimentos Sociais), com apoio da CUT e de caras-pintadas do movimento estudantil. A manifestação da Avenida Paulista faz parte de uma série de protestos que estão acontecendo em todo o país. Depois de Brasília, cerca de 15 mil baianos também apoiaram o governo Lula na última quinta-feira (25). O próximo ato acontece na terça-feira (30) no Ceará.   

Uma caravana do Sinergia CUT participou da manifestação que exigiu também o desengavetamento das 58 CPIs que apurariam irregularidades no governo tucano. Durante a manifestação, dirigentes e trabalhadores energéticos distribuíram uma Carta Aberta à População para exigir ainda a apuração rigorosa  e punição exemplar de corruptos e corruptores, denunciar a tentativa golpista de velhos caciques da política nacional e reivindicar mudanças na política econômica.

Leia a seguir a íntegra da Carta Aberta assinada pelo Sinergia CUT:

‘Em defesa de SP e do Brasil, contra o golpismo e por mudanças

Nós, trabalhadores, que verdadeiramente construímos este País, exigimos que as instituições funcionem dentro da ordem democrática. Queremos que os homens escolhidos pelo povo para exercício de funções públicas cumpram esse papel com lisura e absoluto respeito pelo patrimônio e pelos interesses públicos. Por isso, defendemos a rigorosa apuração e exemplar punição dos corruptos e dos corruptores. Mas não nos restringimos apenas aos suspeitos e aos acusados que se tornaram públicos por força da ação da mídia. Queremos que sejam desengavetas as 58 CPIs que apurariam as irregularidades do governo Alckmin, pois sabemos que a corrupção não está restrita apenas a uma instância de governo.

Reconhecemos a gravidade do momento, mas denunciamos a tentativa golpista dos velhos caciques da política nacional que tentam voltar ao poder a qualquer preço. Da mesma forma, repudiamos a instrumentalização das CPIs por oportunistas, velhas e novas raposas que mais uma vez se utilizam do engodo para aparecer e confundir a opinião pública. Percebemos claramente a ingenuidade dos radicais da esquerda – cegos pela vingança, aliam-se às velhas raposas da direita. Não enxergam que após o incêndio que estão disseminando, talvez sobrem somente cinzas que dificilmente servirão para reconstruir a esquerda, os movimentos populares e o movimento sindical.

Nesta crise, identificamos ainda, e repudiamos com veemência, o papel deplorável  de parte do jornalismo que abandonou totalmente sua pretensa isenção para dar vazão à manipulação e, às vezes, à mentira, defendendo os interesses da uma elite política viciada, desonesta e fisiológica. Rara exceção foi a manchete de que o lucro das empresas do setor elétrico subiu 424% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2004. Ora, se o consumo de energia aumentou, e esse é um fator que mostra a expansão da produção econômica, o Brasil já vive o espetáculo do crescimento.

Queremos um Brasil desenvolvido e justo, mas isso só virá com mudanças na política econômica. Queremos o fim da política do superávit primário, a queda dos juros altos, investimentos na produção. Precisamos de mais empregos, de políticas públicas mais abrangentes e de distribuição de renda. Exigimos reforma política, reforma sindical, reforma agrária e reforma urbana. Enfim, queremos iniciar, finalmente, a construção de um novo país.

São Paulo, 26 de agosto de 2005.’ 

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