Especialista prevê novo apagão em 2008

09 setembro 23:33 2005

Conforme notícia divulgada pelo site Elétrica, hidrelétricas só estarão em condições de operar a todo vapor em 2012
Mesmo se não houver sobressaltos, o Brasil deve enfrentar em 2008 uma escassez de energia elétrica. Isso é o que prevê o consultor Marcos Roberto Escobar, da FC Stone, que já atuou no setor de comercialização de energia da CPFL.

Segundo ele, as hidrelétricas só estarão em condições de operar com força total em 2012, e alternativas como gás natural e biomassa não serão suficientes para garantir o abastecimento.

Em 2001, época do racionamento de energia em todo o Brasil, uma das alternativas para suprir a falta do recurso foi importar gás natural dos países vizinhos. Mas Escobar teme que, se houver uma nova crise, os países sul-americanos não vão querer vender o gás. ‘A Argentina deve crescer 8% esse ano. Normalmente o percentual da energia consumida em um país é o dobro do índice do crescimento. Portanto, a Argentina não deve se interessar em vender gás para o Brasil, mesmo em um momento de crise’, adverte.

Nesse cenário o carvão e a biomassa podem ser as principais soluções. Mas a venda de energia de biomassa pelas usinas ainda esbarra em alguns problemas. As companhias distribuidoras não podem comprar energia diretamente de uma usina — é preciso ter um leilão público, e nos leilões os preços caem, desestimulando os usineiros. No último leilão realizado pelo governo, a média de preço foi de R$ 66 por quilowatt/hora, valor considerado muito baixo pelo setor.

Além disso, as usinas ainda precisam aprimorar o serviço. ‘Se uma usina fica dois dias sem fazer a geração que havia se comprometido, principalmente em horários de pico, ela é penalizada pela Câmara de Comercialização de Energia. Por isso, a usina precisa se organizar e conseguir contornar os imprevistos’, afirma Escobar.

No estado de São Paulo operam em co-geração usinas das regiões de Ribeirão Preto, Araçatuba, Araraquara, Campinas e Bauru. O primeiro contrato de co-geração foi firmado em 1987, quando foram comercializados 3 gigawatts. Em 2005, foram 1.800 gigawatts, segundo o consultor. — ainda assim, ressalta, é preciso crescer bem mais.

Os dados foram apresentados durante o seminário Alternativas Energéticas a partir  da cana-de-açúcar, realizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira de Piracicaba e pelo PNUD.

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