OPINIÃO: A vida á real

15 setembro 22:50 2005

No mundo do marketing, as empresas energéticas continuam investindo pesado e sobrevivendo muito bem no mercado. Na vida real, os energéticos continuam trabalhando pesado e sobrevivendo de acordo com as regras do mercado. E isso não é um trocadilho. É uma contradição que está estampada na própria edição especial 2005 das 150 Melhores Empresas para Você Trabalhar, publicada anualmente pela Editora Abril.

Pelo quarto ano consecutivo a CPFL Energia marca presença, agora como a primeira do ranking das empresas do ramo de serviços públicos, ‘com energia para dar e vender’. A novidade deste ano é a presença da Elektro, não só como a segunda colocada no ramo pelos ‘resultados premiados’, mas também como a maior anunciante da edição, usando a contracapa para exaltar os prêmios e vender a idéia de que é a distribuidora ‘mais admirada do país’.

Nas páginas internas, a imagem das duas maiores distribuidoras de SP é vendida com enfoque igual e matérias parecidas: o ambiente de trabalho é maravilhoso, o programa de carreira é excelente, as avaliações desempenho são transparentes, a motivação está no ar e as portas das chefias estão sempre abertas. É o mundo do marketing.

Outra ‘coincidência’ é que, depois da privatização, os trabalhadores da CPFL ‘perderam a estabilidade’ mas quem sobreviveu ‘ganhou uma empresa cheia de boas práticas’. Já os trabalhadores da Elektro ‘perderam a segurança de uma estatal, mas ganharam uma empresa preocupada com seus colaboradores’. Não é verdade. 

As duas empresas também vendem vários benefícios como se fossem concessões ou liberalidades. Não é verdade. São conquistas da mobilização e da capacidade de negociação da categoria, assim como a garantia de emprego que continua sendo um direito.

Só os leitores mais atentos e por dentro da rotina das empresas identificará a CPFL e a Elektro nas entrelinhas da reportagem principal da edição: o que há de novo nas empresas é que a sobrecarga de trabalho é unanimidade. Falta pessoal, sobra estresse. Assim, a satisfação dos trabalhadores cai, a pressão aumenta e a qualidade de vida despenca. E não há marketing que resista. Essa é a vida real. (Leia mais sobre o assunto em CPFL e Elektro: as melhores?)

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