CPFL e Elektro: as melhores?

16 setembro 12:16 2005

No ranking das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, divulgado neste mês pelas revistas Exame e Você S/A, apenas duas empresas de energia elétrica são citadas. O curioso da história é que no país existem 64 distribuidoras, mais de 20 geradoras e 13 transmissoras. Somente as distribuidoras CPFL e Elektro estão na lista. Para um setor que lida com bem público como a energia elétrica, isso é no mínimo estranho.

Segundo a própria revista, para chegar ao resultado da pesquisa, foram enviados questionários para 196 mil trabalhadores das 488 empresas inscritas. Cerca de 130 mil pessoas devolveram suas respostas. A pesquisa traz levantamentos sobre o número de trabalhadores em cada empresa, faturamento anual, como é o ambiente de trabalho, o que a empresa oferece, benefícios, remuneração, ética e cidadania, desenvolvimento profissional e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Não apenas a questão de somente duas empresas de energia constarem no ranking causou estranheza ao Sinergia CUT. As próprias informações divulgadas sobre cada uma delas parecem ser contraditórias.

Em um dos pontos da pesquisa, a revista cita a maior vantagem e a maior desvantagem de se trabalhar em cada empresa. Segundo a revista, para os trabalhadores da CPFL, a maior vantagem seria a ‘motivação em alta e um plano de carreira bem estruturado’. Pois bem. O plano de carreira é justamente o que o Sindicato está questionando na CPFL nesses últimos meses visando um PCS justo.

E mais. A maior desvantagem apontada é a ‘falta de clareza à política que concede bolsas de estudo’. Como isso é possível, se a CPFL não tem política de Bolsa de Estudo?  Ela tem apenas um programa de requalificação profissional que é totalmente financiado pelos próprios trabalhadores. A gestão desse programa é feita por uma comissão paritária (empresa e trabalhadores) e a CPFL não participa dele com nenhum tostão.

Quanto aos salários e remunerações, o Sindicato também questiona os números. De acordo com a revista,  a média salarial dos diretores equivale a 13 vezes a média salarial do nível operacional, não citando que a diferença entre o menor e o maior salário é de 27,08 vezes. Este número é do balanço anual publicado pela CPFL em abril passado.

Curioso também observar que, a remuneração e os benefícios aos trabalhadores tanto da CPFL quanto da Elektro, de acordo com a revista, são concessões das empresas. O Sinergia CUT contesta. Isso faz parte da luta dos trabalhadores que, junto com o Sindicato, travam batalhas anuais, principalmente em épocas de Campanha Salarial para garantir nos ACTs melhorias nos salários e benefícios.

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