A Duke Energy e a ética

30 setembro 17:11 2005

‘Agimos com ética, dizemos a verdade, mantemos nossos compromissos, atuamos de acordo com princípios legais…’.


Esse é um trecho inicial do Código de Ética da Duke Energy. Ótimo! E o importante é que se cumpra.

Exatamente porque a empresa tem um Código de Ética, é que o Sinergia CUT tende a acreditar que  práticas como o desrespeito e a falsidade não são de conhecimento da direção geral da Duke. Porém e, infelizmente, é exatamente o que vem sendo constatado nesse último período, durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho.

O ACT vigente prevê em sua cláusula primeira (Vigência):
‘O presente acordo coletivo de trabalho terá a vigência de 1º de junho de 2004 a 31 de maio de 2006, exceção feita … às cláusulas de Reajuste Salarial e Reajuste de Benefícios, que terão a vigência de um ano… que serão negociadas na data-base da categoria.’

Ou seja, fica evidente a obrigatoriedade, nas discussões do Acordo deste ano, da negociação tão somente do reajuste de salário e benefícios, salvo interesse de ambas as partes (Sindicato e empresa).

E a ata assinada pela empresa e pelos Sindicatos na quarta rodada realizada em 23 de junho passado, estabelece o efetivo mínimo de 292 trabalhadores, movimentação livre de pessoal de no máximo 7% e prevê a forma de distribuição da PLR, de acordo com o disposto nos termos aditivos vigentes firmados com o Sindicato.

Mais: a empresa apresentou algumas modificações, via e-mail, no último dia 05 de agosto, alterando o reajuste para 8%, reduzindo o índice de gerenciamento de pessoal para 6% e prorrogando a validade de todos os acordos coletivos até 2008, desde que mantidas inalteradas as cláusulas atualmente vigentes.

O Sinergia CUT realizou assembléias e apresentou aos trabalhadores tais condições. A proposta de ACT foi, então, aprovada.
Na hora da assinatura do Acordo, o Sindicato percebeu que havia duas alterações significativas no texto.

Na cláusula da PLR, a empresa, unilateralmente, fez constar a forma de distribuição sendo 50% proporcionais aos salários e 50% iguais para todos. A outra modificação foi a retirada, na Cláusula de Grenciamento de Pessoal, dos 292 trabalhadores para constar ‘número de empregados constante do balanço patrimonial da empresa em cada exercício’.

Para o Sinergia CUT esta artimanha da Duke elevaria os 6% de rotatividade para 18%, se levado em conta que o ACT em discussão teria validade por três anos. Mais: a PLR teria a distribuição 50% x 50% , também por três anos. Fica evidente a intenção da empresa de, logo após a assinatura do Acordo, protocolar o ACT na Justiça para arquivar o processo já ganho pelo Sinergia CUT que determina o pagamento da PLR 100% iguais para todos.


A empresa tem procurado os trabalhadores alegando que só o Sinergia CUT ainda não assinou o Acordo e que, por isso, não fez o repasse do reajuste salarial. A Duke determina, inclusive, qual é a base do Sinergia CUT, desconsiderando a carta sindical e o Estatuto do Sindicato na tentativa de jogar os trabalhadores contra a entidade sindical.


Tais medidas e chantagens cometidas pela empresa são de causar profunda indignação. E, com isso, o Sinergia CUT não pode concordar. É óbvio que o Sindicato não assinou esse acordo e, além de solicitar reunião para esclarecimentos com o presidente da empresa, Mickey Peters, o Sinergia CUT pediu intervenção do Ministério Público para fiscalizar o cumprimento da lei. Aguarde informações.

Observação: o presidente da Duke Energy retorna dos Estados Unidos na Quarta (05) e já agendou reunião com a direção do Sinergia CUT.

  Categorias: