Todo apoio à greve nacional dos bancários

13 outubro 17:02 2005

Durante os seis dias de greve nacional, os bancários  enfrentaram  dificuldades que vão de censura a repressão, passando pela violência policial. Já na abertura do Encontro Nacional dos Bancários, que teve a participação de cerca de 1.500 trabalhadores de todo o país, o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo contou que, na manhã do sábado (01), recebeu de um oficial de Justiça, acompanhado de quatro policiais militares, uma liminar judicial para a retirada de todas as propagandas veiculadas em outdoores da campanha salarial dos bancários. ‘Isso um absurdo!’, afirmou o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. ‘Além de massacrar os trabalhadores, desrespeitar seu livre direito de manifestação e greve, convocando a PM para abrir agências usando de violência contra os manifestantes, os banqueiros ainda querem reeditar a censura’.

No final da tarde desta terça-feira (11), a categoria ainda participava de assembléias para decidir sobre a nova proposta apresentada pela Fenabam (Federação Nacional dos Bancos)  ao Comando Nacional dos Bancários na noite da última segunda-feira (10). A nova proposta eleva o reajuste salarial de 4% para 6%, aumenta o abono de R$ 1.000 para R$ 1.700 e prevê PLR de 80% do salário mais um fixo de R$ 800, com teto limite de R$ 5.310 (13,45% a mais que em 2004). Já a 13ª cesta-alimentação foi retirada da proposta. A Fenaban também afirmou que o pagamento, tanto da PLR (R$ 400 mais 40% do salário) quanto do abono (R$ 1.700), deverá ser feito em 10 dias úteis após a assinatura do acordo.

Ao mesmo tempo, a CUT e os sindicatos cutistas lançaram um manifesto de apoio à greve nacional dos bancários. O documento, assinado por várias entidades, Sinergia CUT inclusive, lembra que ‘o setor financeiro é o que mais lucra neste país, em qualquer ocasião’ e aponta que esses lucros fantásticos são obtidos com muita exploração. E, com a visão classista que isso representa, declarara apoio irrestrito à luta dos bancários. Confira a íntegra da nota:


APOIO À GREVE DOS BANCÁRIOS

O setor financeiro é o que mais lucra neste país, em qualquer ocasião, isso todo mundo sabe. O que a maioria das pessoas não conhece é como são obtidos esses lucros fantásticos: com muita exploração.
Todos os setores produtivos deste país: industrial, agrícola, construção civil, habitacional, entre outros, são carentes de recursos para financiamento, a taxas suportáveis, porque o chamado spread no Brasil é muito elevado. Os bancos preferem especular e aplicar na compra de títulos públicos, aumentando a dívida do Estado. Cobram tarifas exorbitantes para todos os tipos de serviços e produtos, que na maioria das vezes os clientes não precisam e não querem.

Aliás, esse é outro grande problema: as contas correntes que os trabalhadores são obrigados a manter nos bancos são vergonhosamente taxadas.

Os bancos têm a obrigação de gerar mais e melhores empregos, não só na categoria bancária, mas para todos os setores. Se cumprissem seu papel de realizar a intermediação financeira, de serem instrumentos de desenvolvimento, possibilitariam a criação de milhões de novos empregos. Ou, no mínimo, contribuiriam para postos de emprego não fossem extintos. Mas isso eles não querem fazer.

Ao contrário, são campeões em precarizar as condições de trabalho, por meio das mais diversas formas de terceirização e interposição fraudulenta de mão-de-obra.

Isso não se limita aos bancários, porque os bancos estão na ponta de diversas cadeias produtivas, como donos ou acionistas dos empreendimentos, levando esse padrão de exploração para os demais setores e, na maioria das vezes, de maneira muito mais agressiva.
Quantas vezes já ouvimos denúncias de trabalho escravo em fazendas pertencentes a bancos e banqueiros.

Além do que é inadmissível que o setor financeiro, com a rentabilidade que possui,  apresente proposta de 4% de reajuste para os seus trabalhadores, que nem sequer cobre a inflação acumulada no período, enquanto várias de nossas entidades fizeram acordos coletivos neste ano com  reajustes assegurando ganho real, em setores e empresas que não possuem os mesmos resultados.

Os bancos não podem continuar a ter um papel de sanguessuga da nação. Também é inaceitável para a classe trabalhadora a utilização do poder financeiro e político que os banqueiros possuem para, nos conflitos capital-trabalho, como na ocorrência de uma greve, utilizarem artimanhas jurídicas como os chamados interditos proibitórios, para impedir a livre manifestação dos trabalhadores, assegurada na Constituição Federal e na lei de greve.

Não contentes, ainda acionam a polícia, que agindo como aparato repressor do Estado, imediatamente os atende. O papel da polícia deve ser respeitado, mas certamente não é furar greve de outras categorias e agredir trabalhadores, como recentemente aconteceu no Rio Grande do Sul, com o Sindicato dos Sapateiros, onde um dirigente sindical foi assassinado.

Ou na violência contra manifestações pacíficas da campanha nacional dos bancários em São Paulo e Belo Horizonte, com agressão a sindicalistas e funcionários dos Sindicatos.

Por isso, nós, representantes das Confederações de Trabalhadores da CUT, abaixo-assinados, com a visão classista que isso representa, vimos declarar nosso apoio irrestrito à luta dos bancários e reafirmar que realmente banqueiro não é flor que se cheire. Sucesso na luta.


Nossa força é nossa união.


CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

  Categorias: