Balanço das greves em 2004

14 outubro 17:44 2005

Segundo o Dieese, em 2004, o movimento sindical brasileiro realizou 302 greves, com mais de 23 mil horas paradas. Nessas mobilizações, destacam-se os movimentos deflagrados pelo funcionalismo público, tanto em número de ocorrências quanto em quantidade de grevistas. Isso por que as mobilizações do setor envolvem, em geral, toda a categoria; além disso, houve um arrocho significativo da remuneração dos servidores nos últimos anos. Por fim, a pressão exercida pelo desemprego é mais presente na esfera privada, intimidando as mobilizações.


Em geral, os movimentos grevistas realizados em 2004 apresentaram tendência propositiva, visando obter melhorias salariais e aprimorar condições de trabalho. Isso contrasta com o observado na segunda metade da década de 90, quando a maioria das mobilizações era defensiva, lutando por manter ou garantir o cumprimento de direitos adquiridos. Assim, a ampla maioria das paralisações (65%) incluiu nas pautas cláusulas voltadas à obtenção de avanços nas relações trabalhistas, ainda que reivindicações de caráter defensivo tenham sido encontradas em 53% das pautas.


Em 180 paralisações foi possível obter informações quanto aos encaminhamentos relacionados com o movimento. Em 119, foram identificadas medidas adotadas para a solução de conflitos e a maioria conduziu à negociação. Das greves que resultaram em negociação, notou-se que a administração federal foi a mais acessível aos trabalhadores (100% de abertura de negociações), enquanto os governos municipais foram o pólo mais resistente ao diálogo (somente 48%).


O movimento grevista deve ser analisado à luz da persistência de duas grandes restrições: a legal, que dificulta a greve na esfera privada e nas empresas estatais (Lei 7.783/89) e mantém sem regulamentação o direito de greve no serviço público; e as altas taxas de desemprego, em um cenário onde não existe a garantia de emprego contra a demissão arbitrária.

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