Terceirização mata trabalhador em Bauru

25 outubro 19:03 2005

Um minuto de silêncio tomou conta de dois atos de protesto organizados pelo Sinergia CUT em Bauru na manhã da segunda-feira (21), reunindo trabalhadores cansados de lamentar a morte de companheiros envolvidos em acidentes fatais cada vez mais freqüentes. Na última sexta-feira (21), o eletricista Fernando Santana Lima, de 25 anos,  trocava um braço de iluminação pública em  Iacanga (50 quilômetros de Bauru), quando caiu de uma altura de aproximadamente três metros. Teve traumatismo craniano e morreu na hora.


Contratado pela empreiteira Aurora, que presta serviços à CPFL Paulista, Lima fez cursos sobre NR10, STC Padrão Corte e Religação, mas não tinha qualquer treinamento para a atividade que executava no momento do acidente. Mais grave: o Sinergia CUT apurou que o eletricista vinha cumprindo uma média de 45 ordens de serviço por dia, dez a mais do que determina a própria CPFL em documentos de saúde e segurança que estabelecem um limite máximo de 35 cortes por dia para cada trabalhador.


Lamentavelmente, o acidente fatal passa a fazer parte de uma crônica de mortes anunciadas. Exatos quatro dias antes, no último dia 17, o Sinergia CUT denunciou a empreiteira Aurora na DRT (Delegacia Regional do Trabalho) de Bauru, por falta de pagamento e péssimas condições de trabalho. Na ocasião, a  CPFL também foi convocada, já que é co-responsável pelos trabalhadores das empreiteiras que lhe prestam serviços.


‘A CPFL tem conhecimento do desrespeito com que é tratado o pessoal dessa empreiteira, desde os baixos rendimentos, atrasos de pagamento, pressão constante e excesso de trabalho’, afirma a direção do Sindicato. ‘Mas, ao invés de tomar as  providências necessárias para garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores, parece que a empresa prefere festejar e se vangloriar das certificações e prêmios que recebe, além de correr atrás de outros, agora o PNQV’. Isso mesmo: Prêmio Nacional de Qualidade de Vida.


Só que, para conquistar tantos prêmios, as distribuidoras contam com vários facilitadores, entre os quais o fato de acidentes com terceiros não aparecerem nas estatísticas das contratantes. Assim, as mortes ou os acidentes graves que envolvem trabalhadores de empreiteiras não afetam os balanços ‘sociais’ das empresas nem arranham a imagem das concessionárias diante das comissões julgadoras  e da opinião pública. É como se a vida do trabalhador terceirizado valesse menos do que a de um trabalhador do quadro próprio. 


Para a direção do Sinergia CUT, ‘as empresas energéticas terceirizam atividades, provocam o excesso de trabalho e incentivam o desempenho por produção e metas. É uma cultura absurda que leva as pessoas a ultrapassarem o limite do que podem suportar. É nesse limite do estresse físico e mental que os trabalhadores correm o sério risco de se tornar mais uma vítima fatal da precarização das condições de trabalho. A terceirização mata’. O Sindicato continuará acompanhando a apuração dos fatos para exigir a responsabilização dos verdadeiros culpados.

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