A CPFL e a SA 8000

04 novembro 18:41 2005

Conquistar prêmios e certificações virou mania  entre as empresas energéticas de São Paulo. A CPFL não foge à regra. Nos últimos tempos, sua grande preocupação tem sido mostrar para a sociedade que é a melhor, nem que para isso tenha que precarizar trabalho, terceirizar e passar por cima das condições de saúde e segurança dos trabalhadores.

Agora em 2005, a CPFL mantém o certificado SA 8000, uma espécie de ‘selo de qualidade social’ no compromisso com melhores condições de trabalho. Para tanto, periodicamente, a CPFL precisa passar por auditorias, sendo uma interna e outra externa, esta realizada pela própria BVQI.

De acordo com as regras da certificadora, as empresas são avaliadas e fiscalizadas em diversas questões como: se há trabalho infantil e trabalho forçado, condições internas de saúde e segurança, liberdade de associação e o direito de negociação coletiva, carga horária de trabalho, remuneração justa, sistemas de gestão e discriminação em geral (racial, sexual, por deficiência, política, etc).

Estranhamente, nem a empresa e muito menos a BVQI permitiram a participação do Sinergia CUT nas auditorias. Ou seja, o Sindicato foi proibido de acompanhar e fiscalizar as condições de trabalho durante as avaliações para a certificação. Portanto, além de querer saber o porquê de não ter sido ouvido, o Sinergia CUT questiona a concessão da certificação, uma vez que alguns pontos levantados pelo Sindicato não estão em conformidade com a SA 8000. Confira:

Trabalho forçado: a empresa determina metas sobre a viabilidade e execução dentro do passo padrão; há registros de execução de tarefas diferentes daquelas para que o trabalhador está qualificado;

Saúde e segurança: somente em 2005 já foram registrados mais de doze acidentes graves, incluindo um fatal. Todos no quadro próprio. A CPFL não considera a LER/DORT como doença ocupacional e, portanto, não fornece a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Para aumentar a lista, a empresa investe na manutenção dos seus ativos;


Liberdade e Autonomia Sindical: unilateralmente, a CPFL procedeu o corte da NDV e decidiu conceder o benefício a apenas parte dos trabalhadores, prejudicando o Sinergia CUT; a empresa não cumpre o acordo de horas extras;modificou  sem discussão a cláusula do ACT referente  ao pagamento do Vale Refeição, e ainda não cumpriu o ACT – Atividade dos Eletricistas – assinado em 11 de outubro de 2001. Mais: a empresa não reconhece o Sinergia CUT e abusa da prática da terceirização;


Práticas disciplinares: há abuso nas punições disciplinares, demissões arbitrárias na CPFL Piratininga e transferências injustificadas;


Expediente de trabalho: há a utilização de escalas irregulares, excesso de horas extras, não cumprimento do Acordo de horas extras, desrespeito à legislação do descanso entre jornadas;


Remuneração: desrespeito ao próprio Código de Ética da empresa, na remuneração pelo mínimo e não pela mediana. E há ausência de carreira na empresa;


Sistema de Gestão: valor pessoal discrimina os trabalhadores e o sistema é utilizado para punição ao trabalhador com baixa produção. Feed-back privilegia trabalhadores com bônus. No sistema de avaliação, o peso da avaliação do gerente é o mesmo peso da soma de dois pares somado à do próprio trabalhador. Isso é nada mais do que o exercício do super poder.


O Sinergia CUT enviou tais questões tanto à direção da CPFL quanto à BVQI. O objetivo é poder discutir e mudar a situação, tornando a CPFL digna do certificado SA 8000.

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