OPINIÃO: Os podres poderes de Veja

10 novembro 10:53 2005

A revista Veja desta semana, voltou a produzir mais um espetáculo da notícia, na tentativa de desconstruir o governo democrático-popular e atingir mais diretamente o presidente Lula. Mais uma reportagem-montagem entre as muitas que a revista vem tentando emplacar nos últimos meses em sua cobertura tendenciosa e sensacionalista da crise.


Dessa vez, a intenção descarada de Veja era recolocar o governo na pauta da crise e, com um pouco de sorte, tentar dar munição de deputados de oposição – leia-se PSDB e PFL – para emplacar de vez um pedido de impeachment


Jornalisticamente, o tratamento da notícia-espetáculo continuou genérico na tentativa de induzir o leitor a erro. Capa e título do texto principal trazem uma afirmação incisiva – a campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba. Intertítulos e chamadas trazem mais detalhes para tentar imprimir veracidade. Fotos com legendas também tentam reforçar a versão expressa no texto.


Mas o leitor atento ficou cheio de dúvidas, interrogações e perguntas que não puderam calar. Para começar, toda a história contada só poderia ser confirmada por um personagem que já morreu. As declarações desencontradas dos dois únicos entrevistados identificados não batem: um diz que o dinheiro veio, mas não sabe como; outro afirma que transportou a encomenda  sem saber de nada. Um diz que foram US$ 3 milhões, outro afirma que foi US$ 1,4 milhão. Nenhum dos dois viu a cor do dinheiro.


Ao invés de um furo, a maior revista semanal brasileira publicou reportagem furada na onda do denuncismo para antecipar a disputa eleitoral. Para nós do Sinergia CUT, isso não é bom para o Brasil. Veja e outras publicações vêm esquecendo uma importante regra do bom jornalismo: apurar os fatos antes que virem notícia. Mas, ao contrário, a midia brasileira vem se destacando em criar notícias para serem apuradas. Obviamente contando com a cumplicidade de políticos  que transformam a tribuna em palanque e se escondem atrás da  tal ‘imunidade parlamentar’. Isso é péssimo para o Brasil.

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