Oferta de energia não reage e novas obras sofrem atraso

23 novembro 18:47 2005

Leia abaixo notícia publicada pelo Jornal Valor, de 23/11/2005:


‘A oferta de energia cresceu muito pouco em 2005, ano em que apenas uma hidrelétrica começou a ser construída. Foram agregados, desde janeiro, 2.284 megawatts (MW) ao sistema elétrico do país. É a menor quantidade desde 1997, mas a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está otimista quanto à entrada de mais 887 MW nos próximos 40 dias, o que tornaria a oferta nova de 2005 a menor desde 2001.


A maior preocupação continua sendo a oferta futura e a lentidão no andamento das 45 usinas concedidas à iniciativa privada entre 1997 e 2002. Destas, 23 ainda não começaram a ser construídas. Também não avançou a liberação das licenças ambientais. No fim de 2004, 26 projetos eram classificados como detentores de graves ou pequenos impedimentos socioambientais. Hoje, estão nessa situação 28 deles.


Um exemplo é Estreito, a maior das 45 usinas licitadas. Com capacidade planejada para gerar 1.087 MW, a hidrelétrica obteve em abril o licenciamento prévio do Ibama. Mas os investidores ainda não conseguiram cumprir todas as 44 condicionantes determinadas pela licença. Por isso, o diretor-presidente do Consórcio Estreito, Victor Paranhos, informou ontem que não vai vender sua energia no leilão de dezembro. ‘Iríamos prometer um produto sem a certeza de que poderíamos entregá-lo’, justificou.


Outro problema para o leilão de dezembro é o preço. Os interessados só podem disputar as concessões com preços abaixo do teto de R$ 116 por megawatt-hora (MWh). Estudo apresentado ontem em Brasília mostra que as seis usinas ainda não leiloadas, mas que já obtiveram licença ambiental prévia, não se viabilizam com esse preço. E o total de usinas pode ser inferior às 13 que constam no edital, reconheceu Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

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