2006: a disputa de dois projetos para o Brasil

02 dezembro 16:26 2005

‘Os trabalhadores energéticos jogarão um papel fundamental nas próximas eleições para o governo do Estado de São Paulo porque conhecem a prática privatista dos governos do PSDB/PFL e as conseqüências danosas para os trabalhadores e consumidores dos serviços públicos entregues à iniciativa privada’. Essa afirmação foi feita pelo presidente da CUT Estadual, Edílson de Paulo Oliveira, durante sua intervenção na mesa que avaliou o cenário sindical, realizada na quinta-feira (01). Também participaram da discussão o Secretário Geral da CUT, Artur Henrique da Silva Santos e o Presidente da Federação Nacional dos Urbanitários, José Eduardo Siqueira.


Um dos pontos de consenso entre os debatedores foi a necessidade de os movimentos sindical e sociais retomarem atividades de mobilização, reconhecendo que uma onda temporária de desânimo se abateu sobre a militância devido à crise causada pela onda de denúncias contra o governo Lula, reconhecido como um governo popular, eleito pelo conjunto de forças progressistas da sociedade, e que apesar da crise, continua conduzindo o maior volume de investimentos em políticas sociais dos últimos anos.


Artur Henrique destacou o trabalho da CUT e seu importante papel neste momento da organização dos trabalhadores. Explicou que é necessário defender a continuidade do governo Lula e sua reeleição, enfatizando que a CUT continuará disputando a mudança da política econômica para que haja desenvolvimento, emprego e renda para todos. Um exemplo dessa luta por mudanças foi a II Marcha Nacional do Salário Mínimo, que levou mais de 10 mil pessoas a Brasília, que caminharam por 14 quilômetros, mesmo debaixo de chuva.


O dirigente advertiu ainda para a necessidade de o movimento sindical se preparar muito bem para enfrentar as eleições no ano de 2006, pois a direita está mobilizada e  estarão em jogo dois projetos: um que apenas começou a ser construído com Lula na presidência e que precisa prosseguir para trazer avanços para as parcelas mais pobres da sociedade; e outro representado pela união entre o PSDB e o PFL, responsável por uma política desastrosa de privatização e entrega do patrimônio público, que coroou o projeto neoliberal de redução do papel do Estado e abandono das políticas sociais.


No âmbito do governo do Estado, Edílson de Paula explicou que as eleições também não serão fáceis, pois há uma blindagem construída pela mídia em torno da figura de Geraldo Alckmin. Isso impede que a sociedade tome conhecimento da dimensão exata do sucateamento promovido na educação, na saúde e na segurança, por exemplo. Os sindicatos de servidores públicos estaduais e aqueles que representam os trabalhadores em empresas concessionárias de serviços públicos, reunidos na CUT, devem encontrar formas de furar esse bloqueio dos meios de comunicação, para que a população não se iluda com a imagem construída artificialmente de eficiência dos governos Alckmin e Serra.


Diante disso, segundo o presidente da CUT Estadual, o movimento sindical tem a obrigação de lutar para desmascarar a política praticada tanto por Alckmin, quanto no município por Serra. ‘O mais grave é que sairá de São Paulo o principal adversário na disputa com o presidente Lula. Essa mesma gente que está destruindo o estado quer governar o Brasil e se isso ocorrer, teremos que enfrentar a volta das privatizações, o corte de direitos e a falta de investimentos em políticas sociais. Eles destruiriam os avanços sociais dos programas sociais, assim como Serra quer acabar com os CEUs, construídos na gestão petista na cidade de São Paulo’, explicou.


O presidente da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), José Eduardo Siqueira, resgatou o papel do Sinergia na construção da Central Única dos Trabalhadores e de um novo modelo sindical no País. Lembrando que a história da FNU coincide com a trajetória da CUT, afirmou que a FNU foi a primeira federação a incorporar a idéia cutista de sindicato cidadão, assumindo a responsabilidade de produzir reflexões sobre as políticas públicas para os diferentes setores, baseadas na visão dos trabalhadores. Essas reflexões foram levadas às candidaturas apoiadas pelos trabalhadores e se transformaram em programas de governo. 


Conclamando os delegados ao 3º Congresso a continuarem firmes na luta, Artur Henrique afirmou que os militantes sindicais devem disputar com coragem e firmeza a representação dos trabalhadores contra os sindicatos pelegos, as falsas centrais e os novos partidos políticos alguns surgidos e outros fortalecidos pela atual crise política. ‘Eles agem sempre para dividir e não para unir a classe trabalhadora’, explicou. Lembrou ainda que as entidades devem trabalhar para formar quadros e dar continuidade à luta em que as lideranças devem se suceder e abrir espaço político dentro de um planejamento de longo prazo.


No final dos trabalhos, os presentes decidiram por aclamação apoiar a candidatura de  Artur Henrique da Silva Santos como candidato da categoria energética à presidência da CUT Nacional, de Edílson de Paula Oliveira à reeleição na presidência da CUT Estadual e de  José Eduardo Siqueira, à reeleição na presidência da FNU.

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