Greve paralisa CTEEP em todo interior de SP

21 dezembro 14:52 2005

Centenas de trabalhadores da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) cruzaram os braços  nesta segunda-feira (19) em várias cidades do interior paulista. A greve é um protesto e uma advertência da categoria contra a intenção do governo Alckmin de privatizar a mais rentável e estratégica das empresas energéticas ainda sob controle estatal.


Organizada pelo Sinergia CUT (Sindicato dos Energéticos de SP) e aprovada em assembléias, a greve envolveu trabalhadores da empresa de transmissão em Araraquara, Bauru, Itapetininga, Jupiá, Presidente Prudente, Santa Bárbara D´Oeste, Serrana e Votuporanga.


A categoria permaneceu o dia todo em assembléia permanente nos portões da empresa, debatendo o Plano de Luta que será intensificado daqui até fevereiro e a Pauta de Reivindicações que será entregue ao secretário de Energia e Saneamento, Mauro Arce, no início do ano. Em Bauru, centenas de trabalhadores seguiram em passeata pela rodovia que liga a cidade à Marília, fechando as pistas por cerca de uma hora. O protesto contou com o apoio do deputado Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho (PT), também dirigente da entidade.


A categoria continuará resistindo para reverter o processo de privatização, com mobilização nos locais de trabalho e ações que questionam a legalidade dos trâmites, e para evitar o leilão marcado para o dia 8 de fevereiro próximo. Na próxima quarta-feira (21), o governo de SP apresenta a minuta do edital e a modelagem de venda durante audiência pública na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), às 9h.


Para a direção do Sinergia CUT, é preciso também conscientizar a sociedade das conseqüências danosas da privatização. ‘Comprovadamente o repasse de um serviço essencial para a iniciativa privada resulta em queda do nível do emprego e  precarização dos processos de trabalho, além dos aumentos abusivos de tarifas e queda da qualidade da energia que chega à população’, afirma Wilson Marques de Almeida, vice-presidente do Sinergia CUT.


‘A venda da CTEEP torna o cenário ainda mais preocupante. Com certeza os apagões serão mais freqüentes e  mais longos’, alerta o sindicalista. Para evitar mais transtornos, o Sinergia CUT reivindica a antecipação da negociação da Campanha Salarial para janeiro: ‘É preciso garantir também a tranqüilidade do quadro de pessoal que está sentindo na pele a ameaça do desemprego e, apesar de altamente qualificado, trabalha em contato direto com linhões de alta tensão’.  
  
Vitrine eleitoral


A paralisação desta segunda foi também um protesto contra as mentiras de Alckmin que, depois de afirmar que era estratégico manter a empresa de transmissão sob controle do Estado e que o processo de privatização das energéticas paulistas estava encerrado, quebrou a promessa e encaminhou projeto de lei à Assembléia Legislativa no início do ano.


Os trabalhadores ocuparam as galerias para pressionar os deputados durante mais de dois meses. Mas, com o apoio da base governista, Alckmin conseguiu incluir a CTEEP no programa de privatização, dando o primeiro passo para vender também a CESP (Companhia Energia de São Paulo) e a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia).


A justificativa questionável do governo tucano para a venda da CTEEP é a intenção de sanear a geradora CESP, mergulhada em grave crise financeira e endividada em mais de R$ 13 bilhões, apesar de vários empréstimos contraídos inclusive junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


‘Uma amostra da má gestão do dinheiro público, já que ninguém sabe onde foi parar o dinheiro das privatizações anteriores, e de oportunismo eleitoreiro de Alckmin, pré-candidato assumido ao Palácio do Planalto que sabe que a CESP é uma das principais vitrines de campanha contra seu governo em SP’, concluem os dirigentes do Sinergia CUT.

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