PM bate em bancários em protesto contra demissões na Nossa Caixa

01 fevereiro 17:11 2006

Era só uma paralisação de protesto contra as demissões anunciadas pelo banco Nossa Caixa, o último banco público do Estado. Cerca de 1.500 bancários participavam da paralisação de cinco unidades do banco na terça-feira (31), no centro de São Paulo.


Dentre as agências paradas estava a matriz da rua 15 de Novembro, onde  os bancários acabaram enfrentando forte repressão da Polícia Militar, chamada para forçar a retirada de faixas de protesto contra o governador Geraldo Alckmin e a direção do banco. A PM chegou logo no início da manhã, houve tumulto e a polícia abusou da violência com cassetetes e spray de pimenta. Um bancário foi preso e muitos foram atingidos pelos gases tóxicos.


Em nota oficial, a CUT analisa que ‘já virou prática, em São Paulo, a repressão policial violenta sobre trabalhadores que organizam mobilizações ordeiras para defender seus direitos e empregos. Tal fato nos causa indignação. É urgente a pronta interrupção dessa linha de conduta que, ao que tudo indica, tem origem no Palácio dos Bandeirantes’.


Jeito tucano de privatizar


A Nossa Caixa tem 13 mil funcionários em todo país e vem passando por processo de privatização de alguns setores. Mais 800 demissões foram anunciadas no último dia 23. Para o presidente do Sindicato dos Bancários, Luiz Cláudio Marcolino, ‘essas demissões injustificadas, já que as agências da Nossa Caixa estão sempre cheias, só vêm comprovar a tentativa do governo Alckmin de acabar com o último banco público do Estado, o que há tempos estamos denunciando’.


E, para não deixar dúvidas de que tanta repressão não vai intimidar os trabalhadores, Marcolino ressalta que as paralisações vão continuar: ‘Vamos permanecer mobilizados até que o banco volte atrás. Não há razão para demitir, pois a Nossa Caixa acumula excelentes resultados’.


‘Fica, portanto a certeza de que a pressa tucana de privatizar a rentável CTEEP não é mera coincidência. Acabar totalmente com o patrimônio público construído com o dinheiro do povo é o único jeito tucano de governar’,  analisa a direção do Sinergia CUT que repudia a violência policial e presta total solidariedade aos bancários de SP. 

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