Alckmin aumenta o próprio salário em 16,75%

10 fevereiro 18:42 2006

Por trás da propaganda oficial que tenta vender ‘austeridade, responsabilidade e trabalho’, o governador de São Paulo e presidenciável declarado Geraldo Alckmin já entrou no clima de fim de governo com um aumento de 16,75% no próprio salário, que passa de R$ 12.720 para R$ 14.800 a partir deste mês de janeiro.


O aumento foi autorizado pela Lei 12.152, de 13 de dezembro de 2005, e beneficia também o vice e os secretários estaduais. Detalhe: a lei retroage a 1º de setembro do ano passado e facultou ao governador e vice ‘o direito à renúncia pessoal’ da diferença até janeiro.


Mas, de olho no apoio de correligionários para a disputa interna dos tucanos, o governador pretende deixar ainda mais satisfeitos também os diretores e conselheiros das empresas estatais: os do chamado Grupo 1, com teto salarial limitado ao do governador, receberão os mesmos 16,75% de aumento real nos salários (de R$ 12,720 para R$ 14.800); os do Grupo 2 terão 23,10% a mais para gastar, passando de R$ 9.667 para R$ 11.900; enquanto salários do Grupo 3 aumentam 32,85%, saltando de R$ 5.510 para R$ 7.320.


Os aumentos concedidos aos ‘honorários’ dos diretores têm como referência o ‘subsídio’ do governador e estão propostos e justificados em parecer do Codec (Conselho de Defesa dos Capitais do Estado), que leva o n° 150 e data de 14 de dezembro de 2005.  Dentre as justificativas apresentadas estão a ‘defasagem de valores’ não ajustados desde abril de 2003, a ‘valorização profissional’ e a ‘adoção de adequada política motivacional’ diante de ‘conhecidos desafios’ para conciliar ‘as exigências de eficácia e eficiência no atendimento dos objetivos sociais’.


Conselheiros ganham bônus anual


Não bastassem os aumentos excessivos aos diretores, o Codec considerou também ‘oportuna a extensão aos membros de Conselho de Administração’ do bônus anual, passando a usufruir ‘do mesmo tipo de incentivo concedido à diretoria’ e abocanhando sua parte nos 10% dos dividendos ou juros sobre capital próprio distribuídos ao acionistas, com limite de seis remunerações.


Apesar do voto contrário dos representantes do Sinergia CUT, acionista minoritário, o parecer do Codec foi aprovado nas  de Assembléias Gerais Extraordinárias (AGEs) das estatais paulistas – CESP, EMAE e CTEEP – realizadas no final de janeiro e início de fevereiro. 


A conclusão é uma só: enquanto deixa funcionários públicos sem reajuste, Alckmin está querendo deixar diretores e conselheiros muito satisfeitos com esse aumentaço para que possam fazer sua campanha dentro da máquina pública. Óbvio que é uma grande farra eleitoreira.  

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