Líder no Senado, Mercadante visita a CUT

13 fevereiro 17:28 2006

Em visita à sede nacional da CUT, em São Paulo, na manhã desta segunda-feira (13), o líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante (PT-SP), declarou que o Brasil vive hoje uma encruzilhada, onde é preciso ‘sustentar o nosso projeto de nação e consolidar o caminho da mudança, de compromisso com o povo, em contraposição à agenda neoliberal, de privatização e fim de direitos’. ‘Nossa tarefa fundamental é reeleger Lula, que representa a construção de um novo país, com mais emprego, renda e justiça, de luta contra essa globalização assimétrica, de concentração de riqueza e poder’, sublinhou.


Acompanhado dos presidentes da CUT nacional e estadual, João Antonio Felício e Edilson de Paula; do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia; dos deputados federais Luiz Eduardo Greenhalg e Roberto Gouveia e do deputado estadual Carlos Neder, Mercadante fez sua exposição como pré-candidato do PT ao governo de São Paulo a cerca de 200 sindicalistas, que lotaram o auditório da CUT e aplaudiram suas propostas.


GETÚLIO – De acordo com Mercadante, o cenário da política brasileira atual é muito parecido com o de agosto de 54. ‘O presidente Getúlio Vargas havia feito uma revolução em 30, estruturado os ministérios do Trabalho, da Saúde e da Educação, a CLT – que até hoje protege os trabalhadores, estatizado o subsolo, criado a CSN, a Petrobrás e o BNDES. Quando Getúlio se mata, pela pressão da direita, o povo descobre o que ele representava, e milhões choraram sua morte, se mobilizaram e impediram a vitória dos golpistas. Quem estava na conspiração de 54 são os mesmos que hoje tentaram o impeachment de Lula. Da mesma forma que em 54 onde se era Getúlio ou UDN, o trabalhador hoje deve politizar a luta sindical, pensar no Brasil e impedir o retrocesso neoliberal’, destacou.


Mercadante lembrou que os golpitas de 54 voltaram à carga contra Juscelino, o presidente dos 50 anos em cinco, que construiu Furnas, criou a Sudene, puxou a indústria pesada e ao erguer Brasília, levou o país ao Centro Oeste. ‘Estes mesmos parceiros do PFL e da direita defendiam que JK fosse apedrejado nas ruas. Eram os Mem de Sá, os Otávio Mangabeira… Quem se lembra deles hoje? Ninguém’.


Para o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, é fundamental aprender com a história, pois a direita e a mídia a seu serviço se não conseguiram contra Getúlio e contra JK, conseguiram em 64. ‘Temos de entrar nesta campanha com coração, emoção e sentimento com a compreensão de quem são os nossos inimigos’, conclamou Mercadante, lembrando: ‘o que está em jogo está muito além dos interesses desta ou daquela categoria’. ‘A direita vem com Serra ou Alckmin, mais do mesmo, o que significaria trazer de volta FHC. É um museu de novidades’, condenou.


ESTRATÉGICO – Lembrando que o Brasil é mais da metade do território, da população e do PIB da América do Sul, o senador petista ressaltou o papel estratégico da vitória de Lula para a continuidade do processo de integração e para o sucesso dos governos progressistas do continente. ‘Antes a pauta era a Alca. Invertemos o eixo e estamos integrando a América do Sul com o gasoduto que vem da Venezuela até a Argentina, com a construção de uma refinaria conjunta em Pernambuco e várias iniciativas concretas’. Quando recentemente durante o Fórum Social Mundial, Hugo Chávez defendeu o presidente Lula dos ataques, enfatizou Mercadante, disse uma verdade histórica pois Lula representa uma trincheira em defesa da democracia e da justiça social no continente.


O senador petista elencou um rol de atentados cometidos pelos tucanos em seus oito anos de desgoverno contra a economia nacional. ‘Quando FHC assumiu a dívida interna era de R$ 67 bilhões, deixou a presidência com R$ 876 bilhões, crescia 26% ao ano. Falando a língua dos outros, privatizavam o patrimônio público, e assim era fácil serem aplaudidos. Esta é a cabeça do colonizado’, denunciou. ‘Tendo consciência que distribuir educação, cultura e conhecimento é distribuir poder, o governo Lula criou milhares de vagas em 34 campus. Cinco universidades federais foram criadas por este governo, sendo que só a do ABC contará com 20 mil. FHC não criou uma única vaga na universidade pública, ao contrário, privatizou o ensino, pois essa era a lógica’, acrescentou.


DESENVOLVIMENTO – No caso específico de São Paulo, o senador condenou a falta de uma política de desenvolvimento regional, que fez com que nos últimos dez anos o Estado crescesse a baixo da média nacional. ‘É uma lógica excludente, que fecha Fatecs (Faculdades de Tecnologia) para abrir Febem’, condenou.
‘Em São Paulo temos os principais veículos de comunicação da direita e 25% dos votos de todo o país. Quero ser candidato a governador para sustentar o nosso projeto e reeleger o presidente Lula’, concluiu Mercadante.

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