Dieese prevê mais ofertas de emprego

03 março 18:02 2006

SÃO PAULO – As condições para que o desempregado consiga trabalho deverão ser mais favoráveis este ano que no ano passado. A afirmação foi feita pelo diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Ele disse que as chances serão maiores em abril, na região metropolitana de São Paulo.


Clemente Ganz explicou que foi a desaceleração das atividades, no segundo semestre do ano passado, que se refletiu na estabilidade da taxa de desemprego, passando dos 15,8% registrados em dezembro último, para 15,7% da População Economicamente Ativa (PEA), em janeiro. ‘É normal que tenhamos crescimento na taxa de desemprego nos meses de janeiro, fevereiro e março’, disse ele.


Isso só não aconteceu, em janeiro, quando o percentual foi o menor desde 1998, porque o total de vagas eliminadas no período, 61 mil, foi compensado pela saída de 84 mil pessoas do mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) sobre os 39 municípios da região metropolitana de São Paulo, em janeiro deste ano, 15,7% da PEA, estimada em 10,089 milhões de pessoas, estavam desempregadas. Ou seja, um contingente de 1,584 milhão.


Apesar de ainda ser alto o número, houve redução de 4,5% em comparação com janeiro de 2005 com a saída de 75 mil pessoas dessa situação de desemprego. Sobre o desempenho de dezembro, o nível de ocupação oscilou negativamente em 0,7%, com a eliminação de 61 mil vagas. A pesquisa foi feita em conjunto pelo Dieese e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).


Clemente Ganz destacou que, embora não seja positivo o fato de o desemprego permanecer estável apenas por existir menos disputa por vagas, o quadro que se tem hoje é melhor do que há um ano. Para ele, a economia deveria ter crescimento anual entre 5% e 7% para que houvesse uma substancial redução no número de desempregados.


Entre janeiro de 2005 e janeiro de 2006, o nível de ocupação cresceu 2,8%, com a criação de 230 mil postos de trabalho e a elevação do total de ocupados de 8,275 milhões para 8,505 milhões. Na indústria, foram gerados 61 mil postos de trabalho (+3,8%); no comércio, houve retração de 21 mil (-1,5%); nos serviços, 138 mil (+3,2%) e em outros setores (basicamente empregos domésticos e construção civil), 52 mil (+5,7%).


Entre os setores da indústria que mais expandiram as contratações estão Gráfica e Papel (+17,1%), seguido por Metal Mecânica (+5,5%) e Alimentação (+3,3%). Já em Serviços, surgiram mais vagas para auxiliares (+19,2), Administração e Utilidade Pública (+5,3%), Serviços de Transportes (+3,7%) e Saúde (+3,6%).

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