Trabalhadores da CTEEP fazem paralisação pipoca por até três horas

06 março 19:47 2006


Os trabalhadores da CTEEP continuam dando exemplo de garra e disposição de luta para defender o emprego nesses tempos pré-privatização. Para pressionar a direção da CTEEP a assinar a prorrogação da garantia de emprego até maio de 2009, cumprindo o que foi negociado entre o Sinergia CUT e o secretário estadual de Energia, os trabalhadores deram início às paralisações pipoca nesta segunda-feira (06).


Cruzaram os braços só neste primeiro dia centenas de trabalhadores de Bauru, Votuporanga, Jupiá, Cabreúva e Bom Jardim. As paralisações pipocaram durante todo o dia, com protestos de meia hora e paradas de até três horas, dependendo do local e da avaliação dos trabalhadores.


As paralisações vão continuar até que a empresa cumpra com a palavra e assinar o Termo Aditivo ao Acordo Coletivo que garante o emprego da categoria por mais três anos. Vale lembrar que o Sinergia CUT conquistou a renovação da cláusula de gerenciamento de pessoal na mesa de negociação e a proposta negociada foi aprovada em assembléias da categoria em meados de fevereiro. Mas até agora a direção da CTEEP vem criando obstáculos para não assinar o Termo.


Em nova rodada de assembléias na semana passada os trabalhadores decidiram pelas paralisações pipoca até o dia da assinatura do que foi acordado. Cada dia da semana, em locais de trabalho diferentes, os trabalhadores continuarão cruzando os braços de surpresa por períodos cada vez maiores.


Mais irregularidade na revisão tarifária


Ao mesmo tempo em que intensifica a pressão para garantir o emprego, o Sinergia CUT continua na luta contra a privatização da CTEEP, o que inclui também a audiência pública virtual para a revisão tarifária da empresa de transmissão. O documento do Sindicato, encaminhado à Aneel aponta várias irregularidades no processo (confira no link Revisão Tarifária da CTEEP).


Na última sexta-feira (03), o Sinergia CUT encaminhou mais uma correspondência para questionar outra discrepância da Agência, que reduziu o valor da CTEEP em cerca de 50%. Isso mesmo: apesar de ter avaliado que a CTEEP valia R$ 13.378.446.901,95 em junho do ano passado (ofício n° 897/2005-PF/Aneel, de 18/08/05), agora a Agência afirma que o valor da empresa é de R$ 7.042.401.426,00 referente a julho de 2005 (nota técnica 051/2006, de 14/02/06). Sem nenhuma justifica ou qualquer explicação.


Tanto que a própria Eletrobrás, que detém 54% das ações preferenciais da CTEEP, também está questionando essa discrepância da Aneel. Em correspondência encaminhada ao presidente da estatal, Aloísio Marcos Vasconcelos Novais, o Sindicato solicita, com urgência, que a Eletrobrás formalize sua discordância em relação à redução da receita anual da CTEEP em mais de 8% e peça explicações oficiais sobre a redução do valor dos ativos da empresa de transmissão em cerca de 50%.

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