EDF recebe mais de seis propostas de grupos interessados em comprar a Light

10 março 18:42 2006

Rio – A EDF, controladora da Light, recebeu mais propostas do que o previsto inicialmente de interessados na compra da concessionária de energia elétrica.


Até então seis grupos disputavam a compra da concessionária de energia elétrica que atende cerca de 11 milhões de consumidores em 31 municípios fluminenses: Cemig/Andrade Gutierrez, Energia do Rio, Banco Pátria, GP Investimentos, Banco Brascan e Guggenheim. Segundo a assessoria da EDF, o Citigroup informou ter recebido mais propostas do que o esperado.


O grupo Cemig/Andrade Gutierrez é liderado pelo presidente da Alstom Brasil e pelo ex-presidente da Eletrobrás, José Luiz Alquéres. O grupo Energia do Rio tem o presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira) e pelo fundo de investimentos inglês Millenium. O grupo Guggenheim reúne ex-executivos da AES e o fundo norte-americano Guggenheim Partners.


Apesar da notícia favorável, as ações com direito a voto da concessionária registraram queda de 4,90% na Bovespa. Antes da venda as ações da empresa dispararam.


A Light tem 4.100 funcionários. Em 2005 a companhia lucrou R$ 242,8 milhões. A dívida líquida da empresa, no entanto, chega a R$ 3,5 bilhões. Um dos principais problemas da companhia é o alto nível de perdas, de 23,6%, em razão das ligações clandestinas, os chamados `gatos`. O percentual de inadimplência é de 5,4%.


A venda da concessionária precisará contar com a aprovação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No final de junho do ano passado, a Light obteve um financiamento de R$ 727 milhões com o BNDES no âmbito do programa de capitalização das distribuidoras de energia elétrica.


O banco subscreveu debêntures conversíveis em ações no valor do financiamento. Se decidir converter 100% das debêntures, o banco passará a deter cerca de 30% do capital da companhia. O BNDES, no entanto, estabeleceu condições para se tornar acionista: a recuperação das perdas operacionais e o aporte de capital da EDF.


A Light já renegociou débitos em atraso que somavam R$ 500 milhões com um pool de bancos. Há dois anos a distribuidoras não pagava os empréstimos. A EDF, por sua vez, converteu R$ 400 milhões em empréstimos que havia feito à sua controlada.

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