Lucro de distribuidoras de energia sobe 95%

27 março 12:40 2006

São Paulo – A situação financeira das distribuidoras de energia elétrica melhorou em 2005, segundo estudo da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) feito a partir de balanços de 17 empresas.


O lucro dessas companhias subiu 95,1%, para R$ 3,576 bilhões em 2005, contra R$ 1,063 bilhão em 2004.


Já o faturamento cresceu 15% em relação a 2004, atingindo R$ 37 bilhões. Em 2004, a receita do conjunto das 17 empresas havia sido de R$ 32 bilhões.


O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 16%, totalizando R$ 7,6 bilhões.


Segundo o presidente da Abradee, Luiz Carlos Guimarães, apesar da melhora dos resultados, os ganhos obtidos ainda são `insuficientes para atender às expectativas de remuneração dos investidores`. Isso porque o Ebitda de 2005 é praticamente equivalente ao de 1998 em termos reais (descontada a inflação).


Para Guimarães, os bons resultados de 2005 confirmam somente uma tendência de recuperação iniciada desde 2003. O executivo espera que a melhora das finanças do setor prossiga nos próximos anos para remunerar os investimentos realizados. Foram investidos pelas distribuidoras R$ 23 bilhões de 1998 a 2005.


Selic


Para justificar sua tese, o executivo compara o rendimento de títulos do governo com o dos investimentos feitos pelas companhias, em sua maioria ex-estatais.


Ele diz que, caso os recursos pagos pelas empresas nos leilões de privatização tivessem sido aplicados, por exemplo, em títulos de renda fixa remunerados pela Selic no ano de 1998, o rendimento teria sido 56% superior à correção do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), mais do que o retorno dos investimentos feitos.


Guimarães critica ainda a `acentuada elevação dos encargos tarifários e dos impostos, confirmando tendência assinalada nos últimos anos`.


Segundo Guimarães, os resultados aquém do esperado são reflexo de reajustes concedidos pela Aneel nos processos de revisão tarifária `muito abaixo dos valores pagos pelas empresas na privatização`, também corrigindo os investimentos pelo IGP-M.

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