Consórcio da Cemig paga US$ 319 milhões pela Light

29 março 18:35 2006

SÃO PAULO – O consórcio formado por Cemig, Andrade Gutierrez, JLA Participações e Pactual Energia Participações assinou ontem o contrato para a compra da Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, controlada pela estatal francesa EDF. Além do consórcio, disputavam a aquisição da concessionária Energia Rio (capitaneado pelo empresário Eduardo Eugênio Gouveia Vieira), o banco Pátria e o GP Participações.


A Cemig detém cerca de 8,38% da distribuição de energia no País e 10,83% do mercado regional (Regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste). Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o porcentual não pode superar 20% do mercado nacional ou 25% do regional.


Ronnie Vaz Moreira, ex-presidente da GloboPar e ex-diretor financeiro da Petrobras, será o vice-presidente financeiro da Light. Os novos controladores da distribuidora vão tentar marcar a nova administração sob o mote de que a empresa volta a ser 100% nacional.


O preço pago pela participação de 79,6% do capital total da empresa, de US$ 319,8 milhões, é bem menor do que os US$ 2,7 bilhões pagos pela concessão em junho de 1996, data da privatização. Mas os novos controladores estão assumindo também uma dívida de US$ 1,5 bilhão.


A Light afundou numa crise provocada pela desvalorização cambial de 1999 e pelo racionamento de energia, agravada por problemas na gestão. A Light detém 7,12% do mercado nacional e 9,20% do regional.


A estatal francesa comprou a Light em 1996, no leilão que estreou o processo de privatizações no setor de energia elétrica do governo Fernando Henrique Cardoso. A decisão pela venda foi tomada em meados do ano passado, mas o processo vinha sendo conduzido com extrema cautela para evitar algum tipo de mal-estar na relação entre os governos brasileiro e francês.


A EDF continuará sócia da Light mesmo após a negociação, segundo o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer. Ele disse que recebeu essa informação diretamente da EDF.


Segundo Victer, os novos acionistas da Light farão um aporte de capital na distribuidora de energia elétrica. Ele não soube informar qual será a composição final do capital nem o montante de recursos que os novos sócios investirão.


O que está garantido, segundo ele, é que o governo do Estado do Rio terá um assento no Conselho de Administração, a sede da empresa continuará no Rio, não haverá demissões e a empresa vai rever a sua política de terceirização de serviços.


 

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