A força da energia

04 abril 15:03 2006


Depois de ficarem relegadas a um segundo plano nas carteiras da maioria das corretoras pelo menos nos últimos três anos, as ações de energia elétrica voltaram a ganhar importância dentro das recomendações dos analistas. Para se ter uma idéia, entre as dez corretoras que participam da Carteira Valor, sete indicam um papel de energia entre as cinco recomendações para abril. As mais indicadas são: as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Cemig, as ordinárias (ON, com direito a voto) da Light e da CPFL Energia, cada uma delas com duas corretoras.


Desde 2005, as elétricas estão colhendo bons resultados do novo modelo regulatório do setor. Nos leilões, tanto de energia velha quanto da nova, as companhias de geração conseguiram garantir a venda de energia a longo prazo e a preços mais atraentes do que os do mercado à vista. Isso alavancou seu desempenho operacional. ‘Houve um processo generalizado de recuperação dos balanços das elétricas, com crescimento do fluxo de caixa, da rentabilidade e dos dividendos, ao mesmo tempo em que houve uma redução de dívidas’, diz Rosângela Ribeiro, analista da corretora do Banco Real.


O investidor está sentindo na pele a melhora das elétricas. Além da valorização em bolsa, houve também crescimento na distribuição de dividendos. Rosângela cita o exemplo da Cemig, que distribuiu 50% dos lucros de 2005 e a CPFL Energia, que distribuiu 90%. O setor planeja investir nos próximos dez anos cerca de R$ 40 bilhões na parte de geração, o que ampliará as receitas futuras das empresas.


Entre as cinco recomendações para a Carteira Valor de abril, as corretoras do banco Real e do Itaú indicam as ONs da Light. Com a compra pela Rio Minas Energia – um consórcio entre Andrade Gutierrez, Cemig, Banco Pactual e JLA Participações -, Rosângela acredita que a Light entrará numa nova fase de desenvolvimento.


Já a Unibanco Corretora e o Banif Investment Banking recomendam as PNs da Cemig. O negócio, na visão da chefe de análise da Unibanco Corretora, Tânia Sztamfater, comprova que a Cemig será uma peça importante dentro do processo de consolidação pelo qual deve passar o setor. Ela lembra que, apesar da melhora do cenário, ainda há alguns aspectos que precisam ser definidos dentro do segmento de energia. Entre eles, a inadimplência das distribuidoras, que é maior que os 2,5% estimados pelo governo e a revisão de tarifas, com base na eficiência dessas companhias.


Não apenas as elétricas saíram do ostracismo. As ações de telecomunicação também voltaram a ganhar peso nas carteiras. Entre as dez corretoras, três recomendam as PNs da Vivo Participações para abril. A telefonia celular, segundo o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti, entrou numa fase de arrefecimento da competição, com a redução dos subsídios na compra de aparelhos, especialmente os pré-pagos. Isso deve aumentar as chances de recuperação das margens das companhias, muito espremidas desde que a competição se tornou feroz. A própria melhora da economia, com expansão da renda e do crédito, também deve aumentar o consumo de celular, acredita Firetti.


Em março, a Carteira Valor caiu 1,60%, para 1,71% do Índice Bovespa. No ano, a Carteira acumula alta de 13,19%, para 13,44% do índice e, em 12 meses, de 51,84%, para 42,62% do Ibovespa. (Daniele Camba)

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