PRR CESP: a decisão é dos trabalhadores

09 maio 19:05 2006

O Sinergia CUT faz assembléias na manhã desta quarta-feira (10) para propor aos trabalhadores a suspensão da greve nas principais usinas da CESP para buscar, num prazo de dez dias, consenso com os outros sindicatos para garantir o pagamento da PRR 2005 ainda em maio e com distribuição de 60% iguais para todos e 40% proporcionais às remunerações.


Foi esse o resultado da audiência de conciliação realizada pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) na tarde da última terça-feira (09), em Campinas. Apesar da intransigência dos representantes da CESP, a proposta da nova forma de distribuição foi feita pelo presidente da audiência, juiz Laurival Ribeiro da Silva Filho.


Intransigência da CESP
Aliás, os representantes da CESP já chegaram à audiência sem nenhuma vontade de negociar. A disposição da empresa desde o início era a de radicalizar para forçar o julgamento do dissídio. Chegaram até a afirmar que o Sindicato não estava cumprindo a liminar judicial que determina a manutenção dos serviços essenciais.


Mas uma rápida leitura do juiz no relatório do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) bastou para desmentir a versão da empresa e constatar que, em fiscalização na usina de Porto Primavera, os serviços essenciais estavam sendo totalmente mantidos. Outra jogada da CESP foi afirmar que ‘não há interesse dos outros sindicatos na distribuição linear da verba porque os maiores salários estão em suas respectivas bases’.


Proposta do TRT
Diante do impasse, e não havendo consenso, o próprio juiz propôs a distribuição gradativa da PRR, com 60% fixos e 40% proporcionais. Em mais uma demonstração de intransigência, a CESP rejeitou a proposta do TRT.


Apostando em uma saída negociada com os sindicatos dos Engenheiros e dos Eletricitários de São Paulo em torno da nova forma de distribuição, o Sinergia CUT solicitou então a suspensão do processo até o próximo dia 20.


Depois disso, há possibilidade de dois cenários: caso as entidades cheguem a um consenso, a empresa se comprometeu a pagar a PRR ainda em maio, com prazo até o próximo dia 27. Caso a tentativa de negociação seja frustrada, o TRT marcará a sessão de julgamento do dissídio.


Aposta na negociação
Para o Sinergia CUT a proposta apresentada pelo TRT é uma conquista da disposição de luta dos trabalhadores e um avanço diante da intransigência da CESP. Outros avanços: pela primeira vez a empresa oficializou em ata que o pagamento da PRR já está devidamente autorizado pelos órgãos competentes e garantiu o prazo de uma semana para efetuar o pagamento.


Mas a principal conquista é que vale suspender a greve para apostar mais uma vez numa saída negociada com os dois sindicatos, já que o julgamento do dissídio agora poderia transformar a greve vitoriosa de sete dias em uma aventura para os trabalhadores.

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