CECUT: Mesas destacam temas de interesse dos trabalhadores

11 maio 16:03 2006

No primeiro dia dos trabalhos do 11º Congresso Estadual da CUT, na tarde de quarta-feira, 10, os cerca de 900 delegados participaram de seis mesas temáticas: Gênero; Juventude; Combate à discriminação racial e homofobia; Políticas Públicas, geração de emprego e renda; Saúde do Trabalhador e Pessoas com deficiências, acessibilidade e cidadania.


Diretora do Programa da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais SEPPIR, Maria do Carmo Ferreira Martins, uma das palestrantes da mesa de Combate à discriminação racial, lembrou que as relações do trabalho no Brasil confirmam a exclusão social de gênero e raça. ‘As mulheres são as mais prejudicadas em função de uma cultura de política do trabalho no País. Entre as mulheres, a mulher negra é ainda mais prejudicada’, informou. ‘O homem negro recebe salário menor por tarefa igual ou superior ao do homem branco. As mulheres recebem menos que os homens; a mulher negra tem salário menor que a mulher branca’, diz.


Outra questão importante debatida nas mesas temáticas – e uma das mais concorridas – foi a de Saúde do Trabalhador. Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, lembrou que no Brasil ocorrem três mortes em acidentes de trabalho a cada duas horas. De acordo com a pesquisadora, os acidentes e as doenças do trabalho ainda não foram erradicadas ou ao menos amenizadas por uma série de questões, que passam pelo descaso dos empresários, as dificuldades de provar doenças do trabalho e a falta de políticas de Estado para a área. ‘No Brasil há poucos postos de trabalho de alta tecnologia. A maioria é de trabalho repetitivo, pesado, penoso. Por exemplo, projetos de tecnologia das multinacionais são trazidos de fora. Para nós sobre o trabalho manual e em condições precárias. As novas tecnologias precisam começar a ser discutidas por toda a sociedade’.


Políticas Públicas de Emprego e Renda
Em palestra sobre o tema, o presidente nacional da CUT, João Antonio Felício, denunciou a ‘política neoliberal de desmonte do Estado e entrega do patrimônio público aplicada pelos desgovernos tucanos’ e afirmou que ‘reeleger Lula é, inclusive, um gesto de autodefesa da classe trabalhadora’.


Também participou desta mesa o jornalista e sociólogo, Altamiro Borges. Felício traçou um paralelo entre o programa entreguista defendido por Geraldo Alckmin e o desenvolvimentista, do presidente Luís Inácio Lula da Silva. ‘Ao contrário dos neoliberais, que querem o Estado como espectador da ação daninha dos cartéis multinacionais e do sistema financeiro contra a administração pública, nós defendemos um Estado ativo, que atue como indutor do desenvolvimento e da justiça social. Este é o debate ideológico que está presente e serve de pano de fundo aos ataques da mídia contra o governo Lula, contra Evo Morales e Hugo Chávez’, finalizou.


Cidadania e Deficiência
Alguns dos temas debatidos nesta mesa foram a questão da empregabilidade, qualificação, condições de trabalho, preconceito da sociedade e identificação de portadores de deficiências. Participaram os diretores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Soares Cruz e Flávio Henrique Souza, o diretor da Afubesp, Isaias Dias entre outros.


Para amenizar estes problemas, os palestrantes propuseram a revisão da lei de cotas e do benefício de prestação continuada. Também sugeriram a criação de um 0800 – serviço de informações, específico para atender dúvidas e prestar esclarecimentos para os trabalhadores especiais.


Juventude e Neoliberalismo
O principal desafio levantado pelos palestrantes, entre eles: Maria Virginia de Freitas, coordenadora do Programa Juventude da Ação Educativa e Erlei Roberto de Melo, coordenador do movimento nacional de hip hop, foi como organizar os jovens, principalmente, os que estão em situação de exclusão social.


De acordo com os expositores, o caminho para valorizar esses adolescentes é investir em políticas públicas, que incentivem espaços de lazer, esportivos e de cultura, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que valorizem programas de oportunidades de emprego.

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