Balanço: CUT/SP mantém resistência contra as políticas neoliberais

12 maio 16:28 2006

No segundo dia dos trabalhos, na parte da manhã de quinta-feira, 11, depois de aprovar o regimento do 11º CECUT, os delegados discutiram a conjuntura nacional e estadual e o balanço da atual gestão, 2003 a 2006.


Segundo o presidente da CUT-SP, Edílson de Paula, a Central Estadual agiu de forma propositiva, não ficou voltada apenas para as questões sindicais, mas se tornou uma ‘Central Cidadã’, organizando as lutas dos diversos movimentos sociais organizados. Edílson lembrou também que a Central participou de movimentos de protesto ‘contra a política dos altos juros, exigindo a correção da tabela de imposto de renda e lutando pelo crescimento econômico’.


Para o sindicalista, a Central manteve uma relação de autonomia frente ao governo federal, indo às ruas protestar contra a política econômica, estando em Brasília por inúmeras oportunidades, como em 2004 pelo aumento do salário-mínimo.


De acordo com Ariovaldo de Camargo, tesoureiro da CUT-SP, os últimos três anos da atual gestão foram marcados pelo combate da central em reverter no Estado de São Paulo a forma com que o governo do Estado trata as questões sociais. ‘O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) tratava com desrespeito os movimentos sociais, não recebendo as entidades, não dialogando, não negociando com as entidades sindicais nem com outros setores organizados da sociedade, como aqueles que estão excluídos das entidades sindicais pelo fato de estarem desempregado’, ressalta.


O papel da CUT-SP, neste sentido, ainda segundo Ariovaldo foi promover o processo de denúncia, de enfrentamento, com manifestações na avenida Paulista, atividades de rua junto aos servidores públicos, nas campanhas salariais dos principais sindicatos do setor privado, acompanhando as suas negociações com a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no caso do setor metalúrgico, químico, de produção.


Funcionalismo Público
Um dos setores mais oprimidos economicamente, na opinião de Ariovaldo, foi o do funcionalismo público estadual. ‘Os servidores, nos últimos 12 anos, foram os mais oprimidos, principalmente em suas condições de trabalho, em suas condições salariais’, destaca.


O sindicalista ainda frisou que a CUT-SP deu todo o auxílio aos sindicatos do setor público em suas reivindicações, em suas greves, em seus enfrentamentos, no sentido de trazer a compreensão da sociedade, fazer gestões junto ao governo na tentativa de sensibilizá-lo a atender as reivindicações deste setor no sentido de melhorar a qualidade de vida.


Autonomia e independência
Nas discussões sobre o balanço da atual gestão, uma das principais críticas das correntes minoritárias — que atuam na CUT-SP- foi o ‘imobilismo’ da Central frente ao governo Lula.
Em sua análise de balanço, Edson Carneiro Índio, da Frente de Esquerda Socialista (FSE), afirmou que a CUT perdeu a capacidade de unificar as categorias em luta.


O tesoureiro da CUT/SP, Ariovaldo de Camargo, rebateu as declarações. ‘Há uma confusão por parte de alguns setores, que confundem a responsabilidade com o governo eleito pelos trabalhadores, e que tem compromisso com as camadas menos favorecidas da população, com a autonomia da Central’, afirma.


Ariovaldo destaca que a Central sempre manteve sua autonomia, mas não se esqueceu do tratamento que era dado pelo governo anterior aos movimentos sociais. ‘Fernando Henrique Cardoso não recebia as Centrais Sindicais, não negociava com os servidores públicos, deixava os aposentados a sua própria sorte, não tinha uma política de reajuste do salário mínimo, de recuperação do poder de compra dos trabalhadores’.


O dirigente ainda frisa que ao mesmo tempo em que a CUT manteve a autonomia, teve responsabilidade de pressionar o governo que foi eleito pela ampla maioria dos setores menos favorecidos da sociedade.

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