Ausência de políticas públicas transforma SP no ‘estado do terror’

17 maio 16:48 2006

Nos últimos dias, o estado de São Paulo viveu uma onda de terror e insegurança. Segundo balanço da Secretaria Estadual de Segurança Pública, até a manhã de segunda-feira (15), aconteceram cerca de 72 assassinatos de civis e policiais militares.


Somando a esse caos, que lembrou um verdadeiro clima de guerra, foram incendiados mais de 60 bancos, bem como ocorreram 150 ataques às bases da polícia, bancos, teatros, estações de metrô e 80 rebeliões nos presídios da capital e interior. O estado de São Paulo — considerado a mais importante metropóle do país — virou destaque nas páginas policiais dos jornais mais renomados do mundo.


Esse quadro caótico que envergonha e aterroriza a sociedade brasileira é fruto de 12 anos de ‘desgoverno’ na área da segurança pública. O governo do estado de São Paulo abandonou as políticas sociais e públicas, não investiu em educação, cultura, esporte, geração de emprego e renda, principalmente, para a nossa juventude.


Há 12 anos, a CUT/SP vem denunciando essa política de ‘estado mínimo’ que, além de não priorizar políticas de inclusão social, privatizou empresas importantes, demitiu e precarizou as relações de trabalho e, o que é pior, empobreceu São Paulo que perdeu o posto de principal vitrine econômica do país.


Hoje, o que a sociedade tem assistido pelos meios comunicação é a inoperância e a incompetência administrativa e política desse governo, que procura apenas criminalizar os movimentos sociais.


O que nos estranha é a postura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à sucessão presidencial, que ao invés de admitir que a sua gestão não enfrentou com seriedade o problema, tirou proveito da situação e responsalizou a União ; e do atual, Cláudio Lembo, que tomou conhecimento de tais ações há 20 dias e não tomou nenhuma providência.


A CUT/SP tem cumprido seu papel que é alertar e conscientizar a população sobre os problemas enfrentados no Estado de São Paulo e também propôs ao governo estadual a abertura de um processo de negociação para debater e apresentar propostas.


Exemplo foi o jornal de ‘balanço dos 12 anos do governo tucano’, no qual já alertava sobre a ausência de segurança pública; da superlotação das cadeias e das FEBEMs ; da falta de investimento na formação dos policiais; da aplicação de medidas sócio-educativas para os adolescentes da Febem (o Estado foi punido pela corte internacional da Organização dos Estados Americanos -OEA- por não adotar tais medidas); da necessidade de melhoria nas condições de trabalho e salário dos Policiais Militares e Civis, que hoje estão sendo covardamente assassinados no exercício da função , assim como pessoas inocentes.


Ao invés de refletir sobre as preocupações e dialogar com a CUT/SP, o PSDB mandou por meio de medida judicial apreender o jornal, retirar todas as informações do site da entidade e processar o presidente, Edílson de Paula Oliveira, alegando que o jornal era ‘ilegal’ e fazia ‘campanha eleitoral’.


Mas esses fatos não foram motivos para nos calar. A CUT/SP vai continuar pressionando o governo do Estado a estabelecer um processo de diálogo para que se possa discutir e implementar medidas políticas de inclusão social que assegurem segurança pública de qualidade, educação, saúde, esporte, cultura e geração de empregos ao conjunto da população.

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