Emprego tem expansão recorde de janeiro a abril

24 maio 15:33 2006

Nem mesmo o nervosismo do mercado financeiro internacional mudará a tendência de alta, diz ministro Marinho


O crescimento de janeiro a abril foi puxado pelo setor de serviços, que criou 231 mil vagas no período, pelo agronegócio e pela indústria


O número de trabalhadores com carteira assinada apresentou crescimento inédito nos quatro primeiros meses do ano. De janeiro a abril, foram gerados 569.506 empregos formais, o que representa o melhor resultado desde 1992 -ano em que o Ministério do Trabalho criou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).


A expansão recorde animou o governo, que já prevê a geração de 1,4 milhão de empregos com registro em carteira neste ano. No ano passado, o mercado de trabalho formal acumulou 1,253 milhão de novas vagas. A projeção para 2006, no entanto, não supera a marca de 1,523 milhão de postos criados em 2004 – considerado o melhor ano da história para o emprego formal.


O Caged é um levantamento elaborado mensalmente pelo Trabalho e considera todas as admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, exceto de empregados domésticos. Também ficam de fora funcionários públicos, pois o regime de contratação é diferente.


‘A tendência é de um processo de crescimento contínuo do emprego formal. Nem mesmo o nervosismo do mercado financeiro internacional mudará isso. A conjuntura tem feito surgir muitas dúvidas sobre os rumos do mercado de trabalho. Abril foi um mês positivo. Isso confirma nossa expectativa, que continua positiva para o próximo trimestre’, disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.


Pelas contas do ministro, será possível encerrar os quatro anos de mandato do presidente Lula com a geração de quase 5 milhões de empregos formais. Na campanha eleitoral de 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva prometera gerar 10 milhões de empregos entre formais e informais.


Em abril, a geração de postos com carteira assinada atingiu 229.803 pessoas. Isso equivale a um crescimento de 0,87% na comparação com março. De acordo com o Trabalho, trata-se do segundo melhor resultado para meses de abril, ficando atrás apenas do mesmo mês do ano passado, quando o saldo de empregos foi de 266.095.


A análise técnica do ministério mostra que a expansão recorde verificada no primeiro quadrimestre foi puxada pelo setor de serviços e pela indústria da transformação. No primeiro caso, foram criados 231.327 postos formais. Já a indústria, ficou com o saldo positivo de 146.506 vagas. A agropecuária aparece em terceiro lugar, com a criação de 71.796 postos.


Para o governo, uma combinação de fatores contribuiu para o desempenho positivo de todos os setores da economia. ‘Essa elevação é justificada por fatores sazonais relacionados ao agronegócio, potencializados pelos efeitos positivos da balança comercial, da redução da taxa de juros e de medidas de incentivo à construção civil’, afirma o relatório do ministério.


‘No começo do ano, já esperávamos que a indústria colaborasse mais do que em 2005 para a geração de emprego. No ano passado, os juros e o câmbio pesaram negativamente. Neste ano, com o comportamento de queda da Selic, a indústria está podendo participar mais ativamente no crescimento do emprego’, disse Marinho. (Juliana Sofia, da Sucursal de Brasília)

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