Trabalho: Emprego formal bate recorde histórico e massa salarial cresce R$ 1 bi

06 junho 18:50 2006

Estudo elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que, em abril, 54% dos trabalhadores brasileiros tinham carteira profissional assinada, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo. Este é o maior nível de emprego formal desde 2002, quando teve início a nova Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.


Já a massa salarial cresceu R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2006, em comparação a igual período do ano passado, conforme cálculo da empresa MB Associados, a partir da mesma pesquisa.


Nos últimos 12 meses, o avanço dos salários foi de cerca de 5% – adicional que aumentou o potencial de consumo dos trabalhadores, principalmente nos setores de bens semiduráveis e não-duráveis (como alimentos, medicamentos e vestuário).


Segundo técnicos do IBGE, este é um dos motivos para o avanço de 1,4% no (Produto Interno Bruto) do país entre janeiro e março deste ano


Reação


Segundo os pesquisadores, o índice de emprego formal deverá atingir 55% ainda neste ano. Os resultados mostram uma reação nas áreas captadas pela pesquisa, as regiões metropolitanas, justamente as que mais sofreram com o avanço do neoliberalismo e da informalidade na década passada, principalmente durante os anos do governo FHC.


Nas seis regiões pesquisadas – São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife – 10,8 milhões dos 19,8 milhões de trabalhadores eram empregados com carteira no setor privado ou no setor público. Segundo o jornal, a oferta de vagas formais vem crescendo em paralelo ao recuo de novas ofertas informais, reação iniciada no ano passado.


‘As regiões metropolitanas, onde aumentou a informalidade nos anos 90, agora estão cristalizando uma mudança de tendência, acompanhando o aumento do grau de formalidade das regiões do interior (não metropolitanas), que já vinha ocorrendo’, analisa o economista e consultor do Ipea Marcelo Ávila.


Alguns dos motivos para esse movimento é o avanço das exportações, o aumento da fiscalização trabalhista e o crescimento da economia como um todo. Segundo o economista, os dados permitem concluir que pode estar havendo migração de pessoas do setor informal para o formal. Ele calcula que houve recuo de 377 mil vagas no pessoal ocupado em abril ante dezembro – o recuo é sazonal, mas este foi o maior em três anos.


O resultado revela que o emprego formal cresceu em 72 mil postos (privados e públicos), comparado com o fim do ano, e que a queda se concentrou nos empregos sem carteira (215 mil) e conta própria (167 mil). Comparado a abril de 2005, foram mais 281 mil vagas – menor crescimento nesta base de comparação dos últimos anos -, mas dominado pela oferta formal (412 mil) e com variação negativa para os informais (196 mil).


‘Está claro que houve uma mudança inequívoca na composição do crescimento da ocupação’, diz Ávila. ‘Parece que a tendência vai continuar nos próximos meses.’


O economista da MB Associados Sérgio Valle explica que a formalização se sobressai em momentos de maior crescimento econômico e em situações em que há maiores facilidades de crédito. ‘É mais fácil para as empresas tomarem crédito sendo formais e a formalização do empregado é conseqüência disso.’


Além das garantias trabalhistas, a formalização cria outros benefícios. ‘As vantagens do aumento do emprego com carteira assinada são claras. Há um aumento da arrecadação e, com a diminuição da informalidade, você conseguiria diminuir a carga tributária e obter o mesmo nível de arrecadação, pelo menos. Há também uma melhora para o INSS por causa do aumento da arrecadação’, diz Valle.

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