CUT e movimentos sociais estão no caminho para derrotar o neoliberalismo, afirmam Negri e Sader

07 junho 17:14 2006

Na tarde de terça-feira, dia 6 de junho, os 2.600 delegados que participam do 9º CONCUT tiveram a oportunidade de aprofundar sua reflexão com a palestra de dois grandes intelectuais do campo da esquerda: o filósofo italiano, Antonio Negri, professor da Universidade de Pádua (Itália) e o sociólogo, Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Rio de Janeiro.


Negri, um dos fundados do partido comunista na Itália, fez uma análise sobre o movimento operário na França no início do século e afirmou que o país conseguiu fazer a sua revolução, em 1789, por meio da unificação das lutas dos sindicatos e dos movimentos sociais. ‘No Brasil, o movimento operário vem desenvolvendo um processo de ruptura contra o neoliberalismo enraizado na América Latina’, conta.


O filósofo destaca que a CUT, os movimentos sociais e populares devem continuar a resistência e luta contra os efeitos nefastos do mundo globalizado, como o desemprego e a retirada de direitos sociais, para que de fato no futuro possam alcançar uma sociedade socialista e, portanto, igualitária e humana. ‘A CUT, os sindicatos filiados e os movimentos sociais têm desenvolvido uma fantástica experiência que pode culminar com o fracasso do capitalismo internacional’, finaliza.


América Latina


Para o sociólogo, Emir Sader, a América Latina não será mais a mesma daqui a três anos. ‘Esse é o continente que mais tem resistido aos ataques do neoliberalismo. Um caso recente é o da Bolívia que conquistou a sua independência, ao anunciar direito de nacionalizar seu próprio gás’, frisa.


Sader comentou que o capitalismo vem sofrendo desgastes devido às profundas crises econômicas, provocadas por esse modelo, que atingiram o Brasil e demais países da América Latina nos anos de 1994 e 1999.


O estudioso frisa que a CUT tem um papel fundamental e deve se articular com as entidades sindicais da América Latina, por exemplo argentina e mexicana, no sentido de fazer uma troca de experiências para estudar maneiras de combater o neoliberalismo. ‘Outros desafios são resgatar o enorme contingente de jovens brasileiros que hoje estão sem trabalho e perspectivas de futuro, bem como continuar combatendo todas as formas de precarização nas relações de trabalho’, finaliza.


 

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